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Opinião

Não ser Charlie

Dizem-se coisas tão bonitas, fazem-se coisas tão bonitas quando estas coisas acontecem. Fazemos manifestações e minutos de silêncio, damos as mãos e lágrimas, juramos que não temos medo (mas quem não tem medo, tirando os malucos e talvez os assassinos?). Dizemos que somos todos o jornal que foi atacado, muitos que nunca tínhamos sequer ouvido falar dele ou poderíamos até achá-lo ofensivo: afinal, em 1975, a propósito do Verão Quente português, pôs um padre na primeira página a fazer a saudação nazi. E garantimos: nunca nada assim sucedeu. Ah, esta estranha tendência que temos para decretar a absoluta novidade de tudo, como se tivéssemos todos memória de pintainho e o olhar sensacionalista e naïf de um tabloide, sempre a precisar de vender cada acontecimento como o mais, o maior, o pior, o melhor, o único, o primeiro, o último.