Crónica de Televisão

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?

Premium

Rogério Casanova

Branco no branco

As personagens fictícias vivem muitas vidas diferentes - e morrem muitas mortes diferentes. A última década e meia de televisão mostrou-nos quase todas as formas possíveis de escangalhar o corpo humano e cessar as funções vitais. Vimos pessoas despedaçadas por zombies e incineradas pelo bafo de dragões; crânios perfurados à garfada (Sons of Anarchy) ou rachados por uma moca de pregos (The Walking Dead); troncos cortados ao meio por serrote (American Horror Story) ou por elevador (Six Feet Under).

Premium

Rogério Casanova

Recordações da Casa Amarela

Por causa da especificidade da sua função, é comum confundir os jornalistas com os meios de transmissão impessoais que utilizam, e esquecer que cada intrépido repórter coexiste no mesmo corpo com um ser humano, muitos deles com sentimentos. É portanto de louvar o profissionalismo exibido nesta semana por toda a equipa de informação da SIC, que, mesmo ocupadíssimos com a sua mudança de instalações, conseguiram manter-nos permanentemente informados sobre a grande notícia da semana: a sua mudança de instalações. Enquanto o resto da imprensa se distraía com Venezuelas, debates parlamentares e outros flocos de espuma, a SIC soube focar-se no essencial - um grupo de pessoas ia sair de um edifício e entrar num edifício diferente, a sensivelmente nove quilómetros de distância.

Premium

Rogério Casanova

Ballard nas Bahamas

O metabolismo próprio das redes sociais costuma ser demasiado acelerado para formar memórias rigorosas e duradouras, mas de vez em quando surge um evento capaz de fixar indelevelmente uma data. Tal como se lembram dos dias gloriosos do "covfefe" de Trump ou daquele controverso vestido de cor indeterminada, um número significativo de utilizadores do Twitter recorda o que estava a fazer na madrugada de 28 de Abril de 2017: a acompanhar em directo uma sumptuosa calamidade tropical chamada Fyre Festival.