Cristina Siza Vieira

Opinião

Jorge Sampaio. Uma pequena estória, uma grande visão

No início da década de 90 do século passado, o Grupo Pestana adquiriu o Palácio Vale- Flor, em Lisboa, com a intenção de o transformar em hotel. Além da adaptação do Palácio em si, a intenção era levar a efeito no jardim a construção de quartos e suites, de acordo com um projecto do Arquitecto Manuel Tainha. Apesar do parecer favorável do então Instituto Português do Património Cultural, a Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo emitiu parecer desfavorável ao projecto, que veio a ser reformulado. Um ponto crítico dizia respeito aos jardins do palácio. Havia que manter não só a traça romântica do jardim, como as suas árvores e arbustos. Que alegadamente o projecto desrespeitava. Ao tempo, como Subdirectora geral do Turismo, lembro-me de, juntamente com o Director-Geral, visitar esse jardim, acompanhados por técnicos do Laboratório de Patologia Vegetal - denominação expressiva, esta - do Instituto Superior de Agronomia, creio que por indicação sábia do Arquitecto Ribeiro Telles, com quem se vinha falando sobre a difícil situação. Fui calçada de botas cardadas, tal como os demais, penso. O estado sanitário das poucas arvores e arbustos que resistiam de pé metia dó. E o traçado do jardim já nada tinha de romântico, de há tanto tempo abandonado.

Cristina Siza Vieira

Turismo de negócios: e se Bill Gates tem razão? (1)

O fundador da Microsoft, que previu esta pandemia no longínquo ano de 2015, profetizou no final de 2020 que "mais de 50% das viagens de negócios e de 30 % do tempo passado no escritório desaparecerão". Não é uma profecia feita por qualquer um. Por isso, e pelo brutal impacto que poderia vir a ter no turismo e nas viagens, vale a pena explorar o tema. Porque o espaço não dá para tudo, dedico-me às considerações sobre as viagens de negócios.