Couve-de-Bruxelas

Henrique Burnay

Quando Portugal mandar

Segundo um mito urbano, a terceira segunda-feira de janeiro (o próximo dia 21, neste caso) é o dia mais triste do ano porque, além do clima (no hemisfério norte), é quando a maior parte de nós descobre que afinal não deixou de fumar, não passou a ir ao ginásio quatro vezes por semana, a fazer dieta e tudo o mais que são resoluções de Ano Novo. Esta historieta, criada há uns anos por um agente de viagens, embora seja falsa, tem qualquer coisa de verdade: ao fim de pouco tempo de resoluções de última hora descobrimos que nenhuma se cumpre. Ou seja, e é este o pretexto desta conversa, o melhor é tomar resoluções de Ano Novo com boa antecedência. No caso que aqui interessa, esta é uma boa altura para estarmos a preparar a presidência portuguesa da União Europeia, que vai acontecer no primeiro semestre de 2021. Coisa que, reconheça-se, o governo já começou a fazer. Mas esta preparação, apesar de ser uma responsabilidade do executivo, merece ser um tema nacional.

Henrique Burnay

Esquerda, esquerda, volver

Renacionalizar os correios, as águas, os caminhos-de-ferro e a energia, obrigar a que um terço dos conselhos de administração das empresas sejam compostos por representantes dos trabalhadores e expropriar 10% das ações das empresas com mais de 250 trabalhadores para as entregar a fundos geridos por ou a benefício dos empregados. Todas estas ideias, que causaram algum entusiasmo ao Dr. Francisco Louçã, são o essencial do programa de grandes reformas económicas do Labour, anunciado na sua conferência da semana passada. É isto o programa de um partido que era a direita dos socialistas europeus até há poucos anos.

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

couve de bruxelas

A Europa pós-Trump

Os europeus têm o hábito de não gostar dos presidentes americanos, sobretudo se forem republicanos, mas de depender da sua política externa e de defesa para garantir a sua segurança. A maior novidade com Trump é que, além de não gostarem do presidente - e com várias boas razões, desta vez -, agora não podem ter a certeza de contar com as armas e o dinheiro americanos para defender os seus interesses. O resultado disto tem sido uma enorme discussão sobre a política externa americana atual, que ninguém parece conseguir definir muito bem qual é. Coisa interessante, mas em vez de discutirmos a América, é melhor começarmos a discutir a Europa e o seu papel no mundo.