Couve-de-Bruxelas

Henrique Burnay

Dia de Putin ou da Europa

A invasão russa da Ucrânia fez mais pelo reconhecimento da importância da União Europeia que dezenas de discursos, teorias e alterações dos Tratados. Tal como a crise financeira e a pandemia. Por mais que se critiquem algumas das soluções impostas pelos credores e pela troika, ou os atrasos na distribuição das vacinas, estar na Europa não foi a causa do problema nem foi o que dificultou a solução. Pelo contrário. Agora, de novo, o valor da Europa é manifesto. Desta vez, em primeiro lugar, para os ucranianos. Mas para os restantes europeus também.

Henrique Burnay

Direitos humanos universais ou carne de porco a vegetarianos

Falta-nos "vontade de entender e (...) disponibilidade para admitir o que (tem) de bom" um grupo de combatentes que infligem sofrimento incrível e desumano a gente que tanto podem ser inimigos, como crianças ou mulheres. É pelo menos o que acha a advogada e argumentista Carmo Afonso, num texto publicado no Expresso. E para nos recordar que o outro pode ser diferente de nós traz para a crónica sobre os Talibãs os "homens" da serra do Caldeirão, que falam, bebem e se portam como "homens" da serra, que também não destapam o corpo quando trabalham debaixo de calor e que não abraçam causas progressistas.

Opinião

A poderosa Ursula

Quem confunde poder com visibilidade pode achar que a Comissão Europeia tem pouco poder. Ou, pelo menos, menos do que de facto tem. Ursula von der Leyen é, muito provavelmente, uma figura mais reconhecida do que alguns dos seus antecessores, mas manifestamente menos do que os políticos nacionais e alguns líderes europeus. E, no entanto, as propostas que a Comissão faz, para o Parlamento Europeu e o Conselho decidirem, definem o fundamental da política europeia e nacionais. Em tempos normais já era assim, em tempos de pandemia, primeiro, crise económica, depois, ainda mais.

Henrique Burnay

Uma potência franco-alemã

Nas últimas semanas Merkel e Macron definiram, em conjunto ou em acordo, o essencial da agenda europeia. Da proposta de um plano de recuperação à reação possível à Bielorússia e ao Líbano (onde a explosão no porto ainda pode acabar a fazer implodir o regime), Alemanha e França ditaram os termos das respostas europeias. Alguns viram nisto o regresso do eixo franco-alemão que ditou o destino da Europa nos anos 1980 e 90, e sempre que alguma coisa de fundamental acontece. Em parte é isso, mas há mais ambição.