Couve-de-Bruxelas

Opinião

A poderosa Ursula

Quem confunde poder com visibilidade pode achar que a Comissão Europeia tem pouco poder. Ou, pelo menos, menos do que de facto tem. Ursula von der Leyen é, muito provavelmente, uma figura mais reconhecida do que alguns dos seus antecessores, mas manifestamente menos do que os políticos nacionais e alguns líderes europeus. E, no entanto, as propostas que a Comissão faz, para o Parlamento Europeu e o Conselho decidirem, definem o fundamental da política europeia e nacionais. Em tempos normais já era assim, em tempos de pandemia, primeiro, crise económica, depois, ainda mais.

Henrique Burnay

Na Guiné, à espera de um dia

Estávamos a meio de 2000, o pior da guerra civil tinha acontecido há um ano, agora havia paz e esperança. "O chefe dos enfermeiros do hospital do Quebo (no sudeste da Guiné Bissau), um homem magro de gestos demorados, atravessa lentamente o corredor e abre a porta de um cubículo estreito e escuro. "Isto é a farmácia. Agora não temos remédios mas, quando tivermos, é aqui que hão-de ficar"", escrevi então, na revista Grande Reportagem. Entretanto houve golpes de estado, chefes militares e políticos mortos brutalmente e várias revoltas.

Henrique Burnay

Ler a China

A Alemanha já fez saber que uma das prioridades da sua presidência rotativa da União Europeia, que acontece no segundo semestre do ano que vem, exactamente antes da portuguesa, é organizar uma cimeira com a China em que estejam sentados à volta da mesa, do lado europeu, não apenas as insituições europeias mas também cada um dos 27 (ou 28, nunca se sabe) Estados Membros. Esta originalidade - incluir todos e cada um dos países da UE - tem um significado externo e interno. O que Berlim quer é mostrar, aos chineses mas sobretudo aos restantes europeus, que o quadro das relações com a China se define a nível europeu e, é esse o ponto, compromete todos. O bilateralismo é só às vezes e só para alguns. Desta vez, querem os grandes Estados Membros (França pensa a mesma coisa), não é para ninguém.