Coreógrafo

entrevista de verão

Rui Horta: "Não faz sentido transformarmo-nos numa potência petrolífera em pleno século XXI"

Passou de bailarino a coreógrafo muito jovem, e aos 60 anos estreou A Vespa, um solo em que se expõe totalmente. Nasceu em Lisboa em 1957 e começou a dançar aos 17 nos cursos do Ballet Gulbenkian de Jorge Salavisa. Aos 20 criou o Grupo Experimental Dança Jazz, foi para Nova Iorque, voltou, fundou a Companhia de Dança de Lisboa, uma escola, um coletivo. Em 1990 foi convidado para trabalhar em Frankfurt e quando voltou, dez anos mais tarde, instalou-se com os três filhos em Montemor-o-Novo, onde criou O Espaço do Tempo, no Convento da Saudação. Uma constante aventura de criação, sobrevivência, trabalho, trabalho, comunidade. Criou muitas coreografias, para "os melhores entre os melhores bailarinos". A Vespa é o contraponto de uma vida em que os outros são constantes, indispensáveis. Deem-lhe um microfone e desata a falar sobre a perfuração de petróleo na costa algarvia. Foi o que fez há poucos dias, quando recebeu o Prémio Gulbenkian de Conhecimento, diante do poder político. Onde é que ele é feliz? A dançar, também.