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Opinião

Ciência e ensino superior: a convergência inevitável

A polémica sobre contratação de doutorados nas instituições de investigação científica, o complicadíssimo mecanismo de financiamento da investigação e uma confusão inexpugnável entre prioridades nacionais e regionais fazem crescer o fantasma da insustentabilidade dos compromissos estatais nestes domínios e reacendem o debate da relação entre ensino superior e ciência. A separação entre instituições de ensino superior e de investigação científica foi estimulada durante demasiado tempo. No passado, durante o período de expansão do ensino superior e em épocas de abundância, essa política foi bem acolhida, tendo proporcionado o progresso da investigação científica, liberta dos constrangimentos reais da gestão universitária. No entanto, correu-se um risco que teve uma consequência: a centrifugação da investigação científica do ensino superior e consequente empobrecimento da universidade, que se viu progressivamente retratada como instituição vocacionada exclusivamente para o ensino. Esta é a negação do conceito de universidade de investigação, isto é, uma instituição promotora de conhecimento e inovação, marca de reconhecimento de qualidade no contexto internacional.

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2017, tão português como sul-americano

Com o lema "Passado e presente", Lisboa iniciou o ano de 2017 na sua condição de Capital Ibero-Americana da Cultura e, com a celebração do centenário das aparições de Fátima, já se adivinhava que este seria um dos anos mais latino-americanos de Portugal. Desta vez seriam as costas europeias a receber as caravelas conduzidas pelos latino-americanos e os padrões por estes levantados. O que não se previa era o forte cunho sul-americano.

OE2017

2017 será outro ano perdido

Portugal precisa de crescer, de crescer mais do que os seus parceiros europeus e de crescer sustentadamente. Porque precisa de convergir relativamente à Europa e porque os desafios da globalização só podem ser enfrentados devidamente por economias mais resilientes a choques. Porque os desafios da demografia e do Estado social que queremos preservar assim o exigem. Com uma herança pesada de dívida pública e privada, o crescimento só virá de reformas estruturais continuadas e de confiança interna e externa nas perspetivas do país.

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A síndrome de Esaú

A Constituição japonesa está a fazer 70 anos: aprovada pelas duas câmaras parlamentares a 6 e 7 de outubro de 1946, promulgada pelo imperador a 3 de novembro, entrou em vigor seis meses depois, a 3 de maio de 1947. Embora tenha sido aprovada por largas maiorias na Dieta eleita livre e democraticamente, e promulgada pelo imperador Showa (1901-1989), garante da unidade histórica e intergeracional da nação, foi uma Constituição redigida e imposta pelos vencedores da guerra durante o período de ocupação militar americana. Apesar de quase todas as inovações legais introduzidas nesta Constituição receberem o apoio consensual da população japonesa, a perceção de ter havido coação na sua adoção constitui um poderoso motivo para a sua rejeição por largos setores da sociedade.