convidado

Opinião

Ter ou não ter uma deficiência no desporto: eis a questão

O Estado português - através da Secretaria de Estado da Juventude do Desporto e do instituto que tutela, IPDJ, da Secretaria do Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência e do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) que tutela -tem, e bem, assumido a inclusão no desporto como um desígnio nacional, integrando o desporto para pessoas com deficiência sob a responsabilidade organizativa das federações com Utilidade Pública Desportiva (UPD).

convidado

As velas nem sempre ardem até ao fim

Num romance intitulado L"oeuvre (A Obra), publicado em 1886, Émile Zola retrata o mundo dos artistas através de um pintor maldito, Claude Lantier. O nome pertence ao reino da ficção, mas o resto nem tanto. Esta é uma personagem que concebeu na evocação do amigo Paul Cézanne e das profundas inquietações dele - um artista incompreendido nessa época do Impressionismo, a que acabou por conferir inovação nas formas, com reconhecimento póstumo. Danièle Thompson, realizadora de Cézanne e Eu, documentada sobre o desgosto de Cézanne perante a usurpação literária de Zola (que, inclusive, termina o livro com o suicídio de Claude Lantier diante de uma tela inacabada), agarra neste litígio de amigos para dar ao filme a sua engrenagem. Numa conversa que poderia ficar pela intensidade de um dia ou de uma noite inteira, como no belíssimo livro do húngaro Sándor Márai, As Velas Ardem até ao Fim, Thompson comete a imprudência de ir intercalando fragmentos das vidas do pintor e do escritor, desde a infância, quando se conheceram, retirando fôlego ao momento do confronto iniciado por Cézanne: "Quem é este monstro? Sou eu?"