centros de saúde

Evolução da pandemia

Centros de saúde começam a desmarcar doentes não urgentes

É nos cuidados primários que mais de 90% dos doentes com covid são acompanhados, primeiro por médicos de saúde pública e depois por médicos de família. Há muito que uns e outros reivindicam mais meios humanos e técnicos para responder aos doentes e controlar a pandemia. Há dois meses, os médicos de família pediram uma audiência à ministra. Hoje, dizem que tudo está igual. Não há mais médicos, enfermeiros, administrativos e nem telefones. E já há "unidades de saúde e colegas que começam a desmarcar doentes não urgentes e a ter de deixar de ter outras atividades de rastreio".

Entrevista ao Presidente da Associação dos Médicos de Família

"Investiram em ventiladores, esqueceram os médicos de família"

À medida que a pandemia avança, mais se destapa o que há muito está esquecido nos centros de saúde: a falta de recursos humanos e de equipamento, até de telefones. Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, diz que o silêncio dos "generais", da tutela, deve querer dizer que "não contam com os médicos de família". E "nós estamos nas trincheiras da linha da frente". Em entrevista ao DN, fala da sua irritação e tristeza e alerta: "Estamos pior agora do que estávamos em abril."