Catarina Pires

Catarina Pires

Faz-me falta sentir saudades de casa

É tão estranho isto. A minha casa é o meu espaço. Sou eu e os meus amores que estamos ali, aqui, nos livros, nos objetos, nas fotografias, nos sofás, nas almofadas, nas mantas, nas canecas, na desarrumação, na arrumação. Tenho a sorte de ter uma casa grande e confortável que é uma continuação de mim. Tem imensos defeitos. Coisas que, se pudesse, mudava, mas com as quais vivo bem. Não há lugar onde me sinta melhor. E, no entanto, agora que é nela que passo as 24 horas do dia há três semanas, começo a sentir que me sufoca.

Catarina Pires

Pensas que estás na barraca onde vives?

No outro dia, uma professora perguntou isto à minha filha, que tem 12 anos e está no 6º ano. "Pensas que estás na barraca onde vives?" Ela contou-me, ao jantar, olhar crítico, mas descontração saudável, que tanto me descansa. "Achas bem, mãe?" Primeira (e estúpida) reação minha: "O que é que fizeste para a professora perguntar isso?" Ela, com aquele ar incrédulo dos pré-adolescentes: "Só estava torta na cadeira, mãe. Achas bem uma professora perguntar isso?"

Opinião

Será assim tão difícil fazer (o) bem?

Parece que fazer o bem não só não é difícil como dá prazer e nos faz sentir mais felizes. O altruísmo é uma vantagem evolutiva e é um dos comportamentos responsáveis por termos saído das cavernas e chegado até aqui. «Até aqui» é bom? A pergunta é legítima. De facto, dá ideia de que nos últimos tempos estamos a involuir, que é evoluir mas ao contrário. Eu acho que, apesar de tudo e por incrível que pareça, «até aqui» é bom. Uma vez entrevistei Tal Ben-Shahar, especialista em psicologia positiva e que lecionava um dos cursos mais populares de Harvard [...]