Catarina Carvalho

Catarina Carvalho

E o vírus chegou e disse: vão para casa pensar na vida!

A mão na mão. A mão mais jovem a apertar a mão engelhada. Do início ao final dos dedos, do início ao final dos dedos, outra vez, numa massagem a imitar a respiração, como um prender à vida. A mulher deitada, quase desacordada na cama do hospital de Huesca. Olhos encovados. Mas a mulher de pé tem um sorriso que se vê por detrás da máscara. Está junto da mãe, Encarnação - como se houvesse nome melhor para alguém que, aos 101 anos, resistiu ao covid-19. A filha, contente, junto da sua velha resistente e curada, nas imagens da televisão espanhola.

Catarina Carvalho

Porque não votam os pobres?

Porque é que os pobres não votam? O que pode ou não levar as pessoas a votar? Porque votam? Porque escolhem ficar em casa? Nas respostas a estas perguntas está a saúde e a durabilidade da democracia como a conhecemos - e podemos assumir que, apesar de imperfeita, é a melhor de todas. Mas as respostas são muito mais complicadas do que as perguntas. Quem vota e quem não vota conhece-as bem - mas é mais difícil fazer delas estatísticas. É muito mais difícil elaborar sobre motivações do que sobre votos expressos.

Catarina Carvalho

O bom trabalho do José Mário Branco 

Foram três serões de espanto. Assisti à gravação do disco Sempre, de Katia Guerreiro, que foi produzido por José Mário Branco com a consultadoria da mulher, Manuela de Freitas. Foi há cerca de um ano. Assisti a tudo e o objetivo era descrevê-lo numa reportagem que havia de fazer capa de uma das novas edições do Diário de Notícias, nessa altura em preparação, em maio de 2018. Mas, na verdade, aquilo que tive foi uma experiência de vida, daquelas que constituem marcos de existência.

Catarina Carvalho

Envelhecer, entre Almodóvar, o espelho e o SNS

Quando é que começamos a pensar que gostávamos de ter menos uns anos? Em que fase a vida nos parece crescer para trás e encurtar para a frente? Algumas pessoas responderão a estas perguntas com negativismo, acentuando a inadaptação a novos tempos. Outras terão ideia contrária: por vezes percebemos que os desafios a que estamos sujeitos precisavam de mais tempo para os resolvermos do que o que vamos ter. E é nestas duas ideias que se traçam, não só a personalidade de quem vai envelhecendo, como as tendências sociológicas que determinam a forma como olhamos para os mais velhos - e, nelas, as políticas que se seguem a este respeito.