Catarina Carvalho

Catarina Carvalho

Eles e nós, também no discurso europeu

Há um subdiscurso nestas eleições europeias que se queixa da falta de atenção para as questões que esta votação pode influenciar. É um discurso de certa forma elitista, que corre entre jornalistas, políticos e nas redes sociais onde estes se movimentam e peroram. Mas tem razão. Não, estas eleições não são uma antecâmara das legislativas. Não vão definir a cor do cartão que será passado ao governo. Nada disso. Estas eleições definirão quem vai mandar no Parlamento Europeu e, de certa forma, influenciará o tipo de União que será a europeia, daqui para a frente.

Catarina Carvalho

Enfermeiros e professores. "Eles" e "nós"

Professores e enfermeiros voltam nesta semana à mesa das negociações. Talvez seja um "como quem diz" este "voltar à mesa de negociações". Aquilo a que os portugueses que não são professores nem enfermeiros têm assistido é, pelo contrário, ao extremar de posições - com as classes profissionais a não dar sinal de terem nenhum braço disponível para torcer. E o governo na retranca dos números.

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Catarina Carvalho

O ministro do ambiente disse pouco sobre o diesel

O ministro do Ambiente foi criticado por ter dito, numa entrevista mas dirigindo-se aos portugueses, que esquecessem os carros a gasóleo, que daqui a quatro ou cinco anos não teriam valor de mercado. Foi pouco o que disse o ministro. E, diga-se, atirou ao alvo errado. Na verdade, um ministro do ano de 2019 não precisava de se preocupar com os valores de mercado de um carro a gasóleo. Pela qualidade de vida dos seus eleitores, um ministro do Ambiente, no ano de 2019, devia ir mais longe, dizendo quando e como pretende o governo de que faz parte limitar as vendas e a circulação de carros a diesel. Ou de carros a gasolina, já agora. Ou como vai fazer para embaratecer os elétricos e massificar a sua utilização.

Opinião

Até já, futuro!

É muito difícil imaginar o futuro, mesmo para um jornal a caminho dos 155 anos de idade. O futuro está cada vez mais longe, à medida que a evolução se torna cada vez mais rápida. As coisas não estão fáceis, mesmo para os futuristas profissionais - os que se baseiam em dados do passado, descobrindo as pistas que podem indicar o que aí vem. Com um pouco de inconsciência da idade, atrevemo-nos. Homenageando o nome deste suplemento, que é a data de fundação deste jornal centenário, fomos por aí em busca do que poderá ser o mundo no ano de 2064, data em que o Diário de Notícias terá 200 anos. Não fizemos este caminho pelo tempo sozinhos - temos connosco especialistas em diversas áreas que, mais do que bitaites, fazem previsões alicerçadas em conhecimentos.

Catarina Carvalho

Quanto vale uma vida em Borba

Quanto vale uma vida perdida numa estrada de Borba? Mesmo os não jornalistas conhecem aquela regra dos mortos por quilómetro, a que diz que um morto na cidade do leitor vale mais do que 2000 a muitos de distância. Mas, como em tudo no jornalismo e na vida, também nesta regra... depende. Acompanhámos com fervor a árdua retirada da gruta dos jovens tailandeses do outro lado do mundo, a 11 mil quilómetros de distância. E, nesta semana, percebemos que cinco mortes em Borba valem pouco - sobretudo para os que mais perto delas estavam.

Opinião

Alegre diz que isto é tudo perigoso. E é

A entrevista acabou e os microfones estão desligados quando Manuel Alegre faz um salto histórico, da questão que o move presentemente - o IVA das touradas - até ao seu passado. O salto que encontra no seu passado a explicação para a sua indignação recente. Regressa ao momento em que, depois do 25 de Abril, já em Portugal, vindo do exílio, ele, que era uma das referências à esquerda, resolve juntar-se a Mário Soares no PS e lutar contra os radicalismos - de esquerda e militares. Os seus olhos azuis estão sérios. E a voz cava diz: "É isso. Isto é tudo demasiado perigoso."