Catarina Carvalho

Catarina Carvalho

E se Trump diz alto o que muitos pensam calados?

O mundo é um lugar mais estranho, mais perigoso e mais complexo visto de um congresso de jornalistas em Austin, no Texas - onde estou por estes dias. Sobretudo na semana em que Bob Woodward editou o livro sobre a administração Trump, um relato da loucura que se vive na Casa Branca a que o autor chamou, sem pejo, Fear, Medo. E na ressaca da publicação pelo The New York Times do artigo anónimo de dentro da própria administração, em que o funcionário que o escreveu relatava um "estado de sítio".

Catarina Carvalho

Trump, barbies e pipis

De tudo, o que me incomoda mais: aquela família, os Trump, em que todas as mulheres parecem barbies. Saiam as mulheres que estão no centro do palco, venham as que fazem de moldura! Sorridentes, dentes brancos e cabelos loiros e compridos, pestanas postiças, saltos agulha, saia travada acima do joelho - podem substituir por ombro à mostra, também se aplica. E reparem, a presença dos últimos fatores podia não anular o primeiro - uma mulher até podia ter estado ontem no centro do palco e tê-los a todos, nada impedia. Acontece que não foi assim. Os americanos - e americanas - acharam que não era uma mulher que devia estar no centro do palco nestas eleições presidenciais. Acabámos assim uma noite longa, com mulheres a fazerem de moldura.

Opinião

Por que votei Hillary, com a cabeça e com o coração

Votei Hillary Clinton. Foi assim: mandei por e-mail o boletim de voto em pdf para a Comissão de Eleições do Massachusetts, a bolinha que dizia Clinton/Kaine preenchida a preto. É um ritual de que me orgulho, exercer a minha cidadania americana votando, à distância. Sou uma absentee ballot. Sei que cumpro o sonho dos que não são americanos e gostavam de ajudar a decidir umas eleições que também os afetam. Faço--o com alegria: foi emocionante votar em Barack Obama, é muito bom votar em Hillary Clinton.