Catarina Carvalho

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O bom trabalho do José Mário Branco 

Foram três serões de espanto. Assisti à gravação do disco Sempre, de Katia Guerreiro, que foi produzido por José Mário Branco com a consultadoria da mulher, Manuela de Freitas. Foi há cerca de um ano. Assisti a tudo e o objetivo era descrevê-lo numa reportagem que havia de fazer capa de uma das novas edições do Diário de Notícias, nessa altura em preparação, em maio de 2018. Mas, na verdade, aquilo que tive foi uma experiência de vida, daquelas que constituem marcos de existência.

Catarina Carvalho

Envelhecer, entre Almodóvar, o espelho e o SNS

Quando é que começamos a pensar que gostávamos de ter menos uns anos? Em que fase a vida nos parece crescer para trás e encurtar para a frente? Algumas pessoas responderão a estas perguntas com negativismo, acentuando a inadaptação a novos tempos. Outras terão ideia contrária: por vezes percebemos que os desafios a que estamos sujeitos precisavam de mais tempo para os resolvermos do que o que vamos ter. E é nestas duas ideias que se traçam, não só a personalidade de quem vai envelhecendo, como as tendências sociológicas que determinam a forma como olhamos para os mais velhos - e, nelas, as políticas que se seguem a este respeito.

Catarina Carvalho

A floresta tem horror ao vazio. Sobretudo o da política

Entretemo-nos com a notícia de que as máscaras para proteção do fumo são inflamáveis. Grandes são as notícias com as quais podemos arregalar os olhos. Distraímo-nos com as picardias entre ministro da Administração Interna e presidente da Câmara de Mação sobre quem tem mais razão nas falhas de combate ao fogo. Boas são as polémicas que nos fazem abanar com a cabeça de espanto. Rezamos para que o calor que se sente na Europa não chegue a Portugal. Inúteis são as preces de quem aponta aos céus não resolvendo os problemas que só são solúveis na terra.

Catarina Carvalho

Eles e nós, também no discurso europeu

Há um subdiscurso nestas eleições europeias que se queixa da falta de atenção para as questões que esta votação pode influenciar. É um discurso de certa forma elitista, que corre entre jornalistas, políticos e nas redes sociais onde estes se movimentam e peroram. Mas tem razão. Não, estas eleições não são uma antecâmara das legislativas. Não vão definir a cor do cartão que será passado ao governo. Nada disso. Estas eleições definirão quem vai mandar no Parlamento Europeu e, de certa forma, influenciará o tipo de União que será a europeia, daqui para a frente.

Catarina Carvalho

Um professor é mais do que uma folha de salário

Não se aguarda um final de ano letivo calmo nas escolas portuguesas. Os professores já afiam as facas, com Mário Nogueira renascido das cinzas de uma luta partidária em que jogou mais do que devia e perdeu mais do que podia, mas que, por ter havido quem fosse mais trapalhão, acabou por ter uma derrota com sabor a vitória. Os professores, por seu lado, terão visto no gorar dos seus intentos a força de que precisavam para endurecer a luta? E manterão uma luta de greves tradicionais, graves mas sem incomodar muito? Ou aprenderam no clima radical de chora-que-logo-bebes (a imaginária aldeia onde nasceu João sem Medo, protagonista do livro homónimo de José Gomes Ferreira)? Veremos, e provavelmente em breve, uma vez que a época de exames está à porta.