Catarina Carvalho

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Envelhecer, entre Almodóvar, o espelho e o SNS

Quando é que começamos a pensar que gostávamos de ter menos uns anos? Em que fase a vida nos parece crescer para trás e encurtar para a frente? Algumas pessoas responderão a estas perguntas com negativismo, acentuando a inadaptação a novos tempos. Outras terão ideia contrária: por vezes percebemos que os desafios a que estamos sujeitos precisavam de mais tempo para os resolvermos do que o que vamos ter. E é nestas duas ideias que se traçam, não só a personalidade de quem vai envelhecendo, como as tendências sociológicas que determinam a forma como olhamos para os mais velhos - e, nelas, as políticas que se seguem a este respeito.

Catarina Carvalho

A rentrée mais aborrecida de sempre?

Como uma peça de teatro onde cada um sabe bem o seu papel, corre sem sobressaltos esta rentrée política que é a antecâmara de uma campanha eleitoral. Sem sobressaltos no sentido do que se esperava - que já é um tanto ou quanto inusitado. O que se passa é que o partido do governo não demonstra nenhum desgaste - e tem conseguido, sem oposição, traçar o caminho e, até, condicionar a narrativa. Fala, não falando - ou talvez seja ao contrário, não falando, fala - em maioria. Desguarnecido à direita, ataca a esquerda, os seus ex-companheiros e agora último obstáculo a essa maioria.

Catarina Carvalho

Uma crónica bairrista na Costa da Caparica

É certo que o verão tem estado fresco... Confesso que parece estranho começar uma crónica num jornal sério assim, para os cânones do jornalismo cá do burgo, mas talvez seja esse um dos problemas do jornalismo cá do burgo, o de viver numa bolha, longe do que interessa de facto, e sem falar para pessoas comuns - e aí estão os números dos artigos mais lidos online para o confirmar.

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Ao centro, volver. Ou quatro ilações de uma inesperada crise política

Ainda nem começou a campanha para as europeias e estas já foram atropeladas pela das legislativas. Com um horizonte de dia 15 para as votações finais no Parlamento da questão da contagem do tempo de serviço para o reembolso dos cortes nos salários dos professores, ninguém vai pensar em mais nada. Muito menos nas pouco apelativas questões europeias - e nos ainda menos emocionantes candidatos. O que é de certa forma irónico, pelo que representa de oportunidade perdida. Voltaremos à política, como habitualmente, doméstica, de tricas e grupos de interesse. Deixando para segundo plano a política com que nos devíamos preocupar mais, a que determinará o mundo e o nosso futuro comum. Que era do que devíamos estar a falar quando falamos de europeias. Pior: voltamos à política eleitoral. À que perde tantas vezes o foco do essencial para se demorar no secundário, submete valores e princípios para se render ao marketing. O que transforma pessoas em membros de focus groups, targets ou vetores. Onde posso ganhar votos? Para que eleitorado devo falar e como chegar-lhe?

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As miúdas têm notas melhores. E depois, o que acontece?

Nos rankings das escolas há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Catarina Carvalho

Que partido quer ser o PSD?

A política está mais rápida, como todas as coisas do mundo. Mas nove meses serão suficientes para um partido mandar um líder abaixo, eleger outro e dá-lo a conhecer? O PSD está convencido de que sim. Ou, melhor, uma parte do aparelho do PSD parece estar convencida de que sim. As sondagens ajudam ao raciocínio - com um PSD em queda, um PS longe da maioria absoluta e um CDS a galgar o lugar do BE. Em relação ao timing, há outros raciocínios possíveis, uns mais benévolos do que outros. As verdade é que as listas para as legislativas estão mesmo à porta - e aqui sempre se joga a força e o poder dentro de um partido, como bem provou a relação de Rui Rio com a sua própria bancada nos últimos meses.

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Uma relação antiga sempre renovada

Ninguém visita a China e fica indiferente - o que acontece também, naturalmente, a quem o faz como jornalista. Há um sopro de novo mundo neste velhíssimo mundo, uma noção de que tudo é possível, com esforço e vontade. Não são só os arranha-céus de Xangai - é a força, a rapidez e a energia das ruas desconhecidas de cidades das províncias, por vezes megalópoles. É assim hoje, e tem sido assim já nas últimas décadas. Conheci-a no início deste século XXI, quando a Europa dava sinais de cansaço e estava em pré-crise. Nesses anos, visitei a faixa industrializada do sudeste chinês, sobretudo Zhejiang. Essa era a zona de onde nos chegavam os milhares de imigrantes chineses que abriam lojas e armazéns em Portugal - de Porto Alto a Vila do Conde.