Cartas do Brasil

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João Almeida Moreira

A primeira vítima

Jornal de maior circulação do Brasil desde 1986, a Folha de S. Paulo foi acusado de pactuar com o regime militar de 1964 a 1985. Já em 2009, um editorial em que chamava esse período de "ditabranda", num jogo de palavras com "ditadura", causou revolta nas esquerdas. Esquerdas essas que aumentaram o tom da indignação quando o jornal publicou uma imagem e um registo criminal falsos de Dilma Rousseff, do PT, de esquerda, às vésperas da campanha eleitoral em que a antiga presidente se elegeu pela primeira vez, batendo José Serra, do PSDB, de centro-direita, nessas eleições.

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João Almeida Moreira

Segundos, Enéas e minutos

"O senhor vê na televisão o programa político eleitoral do presidente, tudo colorido, todos contentes, artistas milionários, se é essa a sua realidade, então vote neles, PT, PMDB, PSDB, PRTB, qualquer P, sempre estiveram juntos, é falsa a briga deles, agora se o senhor não aguenta mais ver menor abandonado na rua, as drogas, os crimes, tudo o que não presta aumentando, se você quiser expulsar para sempre esses patifes do poder, só existe uma opção, 56, o senhor nunca me viu junto com nenhum deles e comigo o senhor vai ficar livre de todos eles, o meu nome é Enéas 56."

Cartas do Brasil

Thriller Brasil

Na série de suspense thriller em que se transformou o Brasil de 2018, na terça-feira da semana passada os brasileiros foram dormir após os autocarros da caravana do pré-candidato às eleições de outubro Lula da Silva serem atingidos por tiros no Paraná. "Atentado político!", bradou o Partido dos Trabalhadores (PT). "Emboscada!", classificou a presidente do partido. "Ataque de grupo de fascistas!", decretou o próprio Lula. Noutra cena, mais ou menos à mesma hora, mas em Brasília, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) a quem foi atribuído o processo que pode levar o antigo presidente da República à prisão revelou que ele e a família foram ameaçados de morte. A presidente do tribunal solicitou imediatamente escolta policial ao magistrado.

Cartas do Brasil

Os brasis não se falam

Nos metros quadrados mais caros do Brasil, aonde o blockbuster de Hollywood e os iPhones de última geração chegam na hora, os seus habitantes têm uma agenda própria de preocupações: o gigantismo de um estado corrupto que só atrapalha os negócios com leis laborais redigidas há 70 anos ainda sob a presidência de Getúlio Vargas; o emaranhado de impostos federais, estaduais e municipais inexplicáveis; a falta de segurança que não permite nem uma ida descansada em família ao restaurante, ao cinema ou ao futebol; e o preço crescente do dólar que limita os banhos de civilização regulares em viagens aos Estados Unidos ou à Europa.

Cartas do Brasil

B de Brasil (e de Bolsonaro)

No julgamento em segunda instância de hoje, Lula corre sérios riscos de ficar de fora das eleições presidenciais de outubro. Por isso, todos os olhos do Brasil se viram para o tribunal de Porto Alegre onde a sentença será lida. A começar pelos olhos de Jaques Wagner e Fernando Haddad, os dois companheiros de Lula no PT que devem disputar eventual vaga do antigo presidente. Passando pelos de Ciro Gomes e Marina Silva, candidatos de centro-esquerda cuja competitividade eleitoral depende da ausência do líder destacado das sondagens, e pelos de Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles ou Rodrigo Maia, os três concorrentes de centro-direita que perderiam o seu maior rival. E terminando, claro, nos olhos castanhos e meio assustadiços de Jair Bolsonaro, o segundo classificado em todos os cenários das pesquisas de opinião.