carta de condução

Joana Petiz

O misterioso mundo das cartas de condução

Em 1937 saiu uma lei que obrigava qualquer cidadão que quisesse usar um isqueiro em público a obter uma licença passada pelas Finanças. E o "delinquente" que não a apresentasse se um fiscal lha pedisse sujeitava-se a multa e à apreensão do dito acendedor. A regra durou até 1970 e foi criada com o objetivo de proteger a indústria nacional de fósforos - isqueiros não se fabricavam por cá. À época, usava-se o protecionismo nos negócios, o Estado ajudava a produção nacional com os instrumentos que tinha à mão e os cidadãos, naturalmente, acatavam. Coisa difícil de conceber nos dias que correm. Ou talvez não, ainda que a forma de mascarar a coisa se tenha sofisticado, oculta agora atrás de finalidades construídas à medida.