Bernardo Pires de Lima

Bernardo Pires de Lima

Choque sistémico colossal

Não há memória de uma derrota tão colossal de um primeiro-ministro na era moderna da política britânica. Quem mais se aproximou foi o trabalhista Ramsay MacDonald em 1924, por 166 votos, menos 64 do que Theresa May. Westminster viveu, por isso, um dia singular na sua história, o que em condições normais levaria de imediato à demissão da primeira-ministra, numa fuga humilhante pela porta dos fundos. Curiosamente, não é este o cenário mais plausível, pelo menos na forma abrupta que muitos esperavam.

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Bernardo Pires de Lima

Cercados

A solidariedade europeia não se mede só em alturas de crise financeira. Ela continua ausente quando vemos centenas de milhares nas ruas da Europa de Leste reivindicando melhor democracia em Budapeste, Varsóvia ou Bucareste. Movimentos pró-União Europeia, sem coletes amarelos, totalmente ausentes da nossa imprensa, das nossas preocupações, à mercê de um autoritarismo crescente sem travão à altura. O desprezo com que os olhamos pode sair-nos caro.

Bernardo Pires de Lima

Do lado certo da história

A pouco mais de um mês das decisivas eleições para o Congresso, Donald Trump dirigiu-se a uma sala cheia nas Nações Unidas. A mensagem foi recebida com um misto de incredulidade, brutalidade e alguns laivos de sintonia contida, a espelhar a heterogeneidade de regimes que gravitam naquele palco. Aos alinhados, Trump brindou com a "não sujeição à burocracia global". Aos mais sensíveis, com a mágica receita da soberania e das nações independentes para alcançar a liberdade. E aos incrédulos, com a recusa definitiva em participar na promoção da democracia, da globalização e em usar os instrumentos multilaterais na regulação dos dilemas comuns a todas os Estados. Se a mensagem tinha um conteúdo planetário, o seu destinatário era sobretudo interno: a base eleitoral que ainda não desmobilizou e que lhe pode dar a continuação do controlo das duas câmaras do Congresso. É para ela que Trump fala em permanência, é dela que emana a sua legitimidade e a sua força no competitivo sistema político americano.

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?