António Mexia

Editorial

Um continente de dúvidas. A certeza da obrigação da mudança

Chegar à viragem do ano com dúvidas sobre o que será a evolução da Europa no ano seguinte é um cenário que, infelizmente, se tornou cada vez mais habitual. Desde o início da crise financeira - e sobretudo da crise das dívidas soberanas - que o projeto europeu tem vindo a mostrar as suas fragilidades e a fazer nascer todas as dúvidas sobre a capacidade de a Europa funcionar enquanto bloco único. Poderá questionar-se o leitor então sobre o porquê de, nesta edição, estarmos a lançar o desafio de refletir sobre o que será o futuro da Europa. A resposta é simples: é que as dúvidas que colocávamos ao longo dos últimos anos tinham uma base essencialmente financeira, sobre a solidez do euro ou a capacidade de financiamento dos Estados. Dúvidas que foram parcialmente dissipadas com a intervenção do Banco Central Europeu. E neste final de 2016 o problema é claramente mais abrangente do que a questão financeira.