António Barreto

Sem emenda

A corrupção e suas variedades

O mais provável é que o PS esteja a caminho do fim. Não por causa da adesão ao mercado nem pelo seu entusiasmo com a frente de esquerda. Mas sim por causa da corrupção, que o PS nunca condenou claramente, sobretudo a sua e a dos seus amigos. O caso Sócrates, a que se acrescentaram tantos outros, está agora a mostrar contornos difíceis de apagar da memória. O caso PT, bem anterior, já tinha deixado feridas e cicatrizes profundas. Os casos Pinho e EDP, que ainda agora vão no adro, revelaram-se de tal maneira letais que será difícil convencer quem quer que seja que membros deste governo não tiveram nada que ver com o governo Sócrates, nesta que é talvez a maior derrota da democracia desde há mais de 40 anos.

Sem emenda

Um Estado frágil, um pobre país

A venda ao Estado chinês dos interesses da Gulbenkian no petróleo veio despertar fantasmas e levantar problemas interessantes. A decisão da Gulbenkian pode evidentemente justificar-se do ponto de vista da sua economia, das suas finanças a longo prazo e do seu equilíbrio futuro. A Gulbenkian não é uma empresa pública e daí se devem retirar conclusões rigorosas. A Gulbenkian não tem de se substituir ao Estado nem ao capitalismo caseiro. Os critérios de uma empresa ou de uma fundação não são os mesmos do que os de um país.

Sem emenda

Piedade e Misericórdia

Pelas más razões, duas das mais antigas instituições nacionais ocupam as páginas dos jornais e os noticiários de televisão: o Montepio Geral e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O assunto resume-se em poucas palavras: o banco Montepio está em má situação financeira e a Santa Casa está tentada a investir nele, no que é encorajada pelo ministro da Segurança Social e pelo governo. A história é tão estranha e os riscos são tão grandes que vale a pena olhar um pouco devagar.

Opinião

O futuro do governo

Um governo mal engendrado foi-se organizando com o tempo. Em vez de se desgastar, o que é habitual, reforçou-se durante dois anos. A ponto de poder durar outros tantos. Mais do que isso é complicado. Quase impossível. Com efeito, a partir de 2018, inicia-se o processo de avaliação permanente: o que é mais vantajoso, manter ou romper? É a pergunta que se fazem, todos os dias, os socialistas, os comunistas e os bloquistas. No momento exacto em que um deles tiver a certeza de que manter o governo gera prejuízos eleitorais, será tomada a decisão de pôr termo a tão estranha forma de aliança política. Depois, segue-se a fase de concretização: é eleitoralmente mais interessante tomar a iniciativa de romper ou tudo arranjar para que seja "o outro" a fazê-lo? Este ano vai ser passado assim.