Anselmo Crespo

Premium

Anselmo Crespo

E uma moção de censura à oposição?

Nos últimos três anos, o governo gozou de um privilégio raro em democracia: a ausência quase total de oposição. Primeiro foi Pedro Passos Coelho, que demorou a habituar-se à ideia de que já não era primeiro-ministro e decidiu comportar-se como se fosse um líder no exílio. Foram dois anos em que o principal partido da oposição gritou, esperneou e defendeu o indefensável, mesmo quando já tinha ficado sem discurso. E foi nas urnas que o país mostrou ao PSD quão errada estava a sua estratégia. Só aí é que o partido decidiu mudar de líder e de rumo.

Premium

Anselmo Crespo

No melhor comunismo cai a nódoa

A sucessão de notícias, nas últimas semanas, que envolvem câmaras comunistas só peca por atraso. Atraso no escrutínio a um partido que viveu as últimas quatro décadas entre os pingos da chuva, num país onde a corrupção, a troca de favores e os jobs for the boys pareciam um exclusivo do centro direita. Aquela ideia de que, com todos os defeitos que possam ter, "ao menos os comunistas são todos íntegros" prevaleceu durante anos e anos, mesmo no espírito de muitos que nunca votaram PCP.

Anselmo Crespo

Os políticos não são todos corruptos

Um dos maiores clichés no ano novo são as entrevistas à populaça que se pela por aparecer na televisão a dizer boçalidades e a fazer figuras tristes. Tipicamente, formulam-se votos de um ano com saúde, família, amigos, dinheiro - este ano houve até quem pedisse um salário sempre a subir - e, claro, os recados para a classe política. "Que sejam menos corruptos", gritava uma senhora lá para o Alentejo. "Acabem com a corrupção", dizia outra mascarada como se estivéssemos no carnaval, depois de ter dado o primeiro mergulho do ano nas águas geladas de Aveiro.

Premium

Anselmo Crespo

Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Anselmo Crespo

Centeno e a tragédia grega

Os 30 graus que marcam os termómetros em Atenas não fazem vacilar nem escorrer uma gota de suor ao porteiro de um dos mais conhecidos hotéis da praça Sintagma, mesmo em frente ao parlamento grego. A conversa por estes dias - nos últimos anos, na verdade - é mono-temática. A Grécia prepara-se para ir a votos, num referendo onde o povo é chamado a dizer se aceita ou não mais um pacote de austeridade. Mais um de muitos. Tantos que os gregos já perderam a conta. Em 2015, estávamos no quinto ano de medidas duras - e quase todas inconsequentes - impostas pelos credores. O Governo, agora liderado pelo Syriza de Alexis Tsipras e que tinha nas finanças a rockstar Varoufakis, decidiu colocar nas mãos do povo a decisão: querem ser chibatados mais um bocadinho ou virar as costas a esta União Europeia que tem sido o nosso carrasco dos últimos anos?