Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Ao cuidado de quem elegeu André Ventura

Sim, eu sei que escrever sobre o Chega e o seu líder tem sempre o risco de lhe dar ainda mais protagonismo. Sim, eu sei que, neste momento, decorrem negociações para a formação de um novo governo e que o centro-direita atravessa uma crise sem precedentes. Sim, eu sei que, politicamente, o país tem problemas gravíssimos que mereciam ser denunciados nestas linhas de texto. Mas não posso - não consigo - deixar de alertar para os riscos que a nossa democracia enfrenta com a eleição de André Ventura para a Assembleia da República. E, ao contrário do que muitos pensam, não é ignorando e muito menos normalizando os "venturas" que se faz este combate.

Anselmo Crespo

PAN (fleto)

Há um mérito que já ninguém pode retirar ao PAN: colocou o ambiente, os direitos dos animais e as alterações climáticas na agenda política nacional. E não é de agora. Começou há quatro anos, quando André Silva conseguiu ser o primeiro deputado do partido a ser eleito para a Assembleia da República e foi conseguindo, ao longo da legislatura, impor algumas das propostas que o partido Pessoas Animais e Natureza tem na sua agenda. Mas o grito do ipiranga do PAN promete ser este ano. Não há político que queira atacar esta agenda, nem jornalista que ouse ignorar o crescimento nas sondagens do partido dos animais. Que o PAN vai crescer eleitoralmente, disso, não tenho dúvidas. Se esse crescimento tem substância, é outra discussão.

Anselmo Crespo

Porque estão as pessoas a marimbar-se para as europeias?

Sim, eu sei que está farto de ver políticos em arruadas, feiras e mercados. Que já não há paciência para as danças ridículas, para as voltinhas de bicicleta - ou de helicóptero - e para o político que decide tocar bateria, só para garantir que aquela imagem se torna viral. Bem sei que já não se aguentam os discursos inflamados e a reação à reação do outro que disse o que não queria dizer. Eu sei que temos todos bons motivos para não ligar nenhuma às eleições europeias. Mas se o erro de pensar assim não é nosso, as grandes vítimas da abstenção seremos nós.

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Anselmo Crespo

No melhor comunismo cai a nódoa

A sucessão de notícias, nas últimas semanas, que envolvem câmaras comunistas só peca por atraso. Atraso no escrutínio a um partido que viveu as últimas quatro décadas entre os pingos da chuva, num país onde a corrupção, a troca de favores e os jobs for the boys pareciam um exclusivo do centro direita. Aquela ideia de que, com todos os defeitos que possam ter, "ao menos os comunistas são todos íntegros" prevaleceu durante anos e anos, mesmo no espírito de muitos que nunca votaram PCP.

Anselmo Crespo

Os políticos não são todos corruptos

Um dos maiores clichés no ano novo são as entrevistas à populaça que se pela por aparecer na televisão a dizer boçalidades e a fazer figuras tristes. Tipicamente, formulam-se votos de um ano com saúde, família, amigos, dinheiro - este ano houve até quem pedisse um salário sempre a subir - e, claro, os recados para a classe política. "Que sejam menos corruptos", gritava uma senhora lá para o Alentejo. "Acabem com a corrupção", dizia outra mascarada como se estivéssemos no carnaval, depois de ter dado o primeiro mergulho do ano nas águas geladas de Aveiro.