América, América

América, América...

Um espetáculo de cordialidade na pré-visita de Trump à Casa Branca

Ontem, o encontro na Sala Oval. As fotos mostram, em cadeirões, o anfitrião da Casa Branca e o, por enquanto, visitante. Ao meio, num quadro sobre a lareira, George Washington. Do lado de Barack Obama, o busto de Lincoln, o mais prestigiado do Partido Republicano. Do lado de Donald Trump, o busto de Martin Luther King. Poder-se-ia divagar pela ironia destas proximidades, mas o mais significativo é que os cadeirões são iguais. A tradição americana é de uma passagem pacífica de um presidente para outro. Ontem, foi um pormenor importante que a mobília dissesse que a tradição se cumpria, apesar de o futuro presidente ter passado o mandato anterior a negar legitimidade a Obama. As bofetadas de luva branca em Obama são mais notórias.

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E Wisconsin fez história...

Noite eleitoral emocionante, centrada na Florida, estado que fora pelas derradeiras sondagens mais inclinado para Hillary Clinton. Seria lá o campo de batalha maior, o farol que iluminou a tendência e o lugar do anúncio que se aproximava. Na Florida, sucessão de mudanças na liderança acabou por dar a vitória a Donald Trump, no estado, por 130 mil votos, em cerca de 9 milhões, um só ponto percentual de diferença, 49 por cento contra 48. Parece pouco mas foi enorme, num estado de tradição de vitórias apertadas, onde numa célebre eleição que empatou a decisão por um mês, 2000, Bush W. contra Gore, o republicano ganhou por pouco mais de uma centena de votos. Forte vitória, pois, de Donald Trump, primeiro facto. A contra-corrente do que indicara a campanha, segundo - até porque Obama ganhara a Florida nas duas precedentes eleições. E, terceiro, indicando a tendência da noite, que foi a de Trump arrancar estados chaves, e, sobretudo, foi o anúncio de um facto histórico que se confirmaria só às 8H00, hora de Lisboa.

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E se Donald Trump me obriga a pagar o que aprendi com ele?

O jornal The Washington Post publicou ontem um artigo com este título: "O mundo está a olhar para a América - e a aprender o que não deve fazer". Pronto, apanharam-me. Ando a tentar aprender, à escuridão que tem sido esta campanha americana, o que não se deve fazer. Alinhei já umas ideias, seja o que for que aconteça na próxima terça: um suspiro de alívio ou um susto. É que, mesmo não ganhando agora, Donald Trump, ou outro canalha por ele, voltará. E, ganhando, tenho um receio suplementar: que me obrigue a pagar o que aprendi, como ele quer que os mexicanos paguem o muro.

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No dia seguinte ao saber-se do impossível

A quase centenária The New Yorker (fundada em 1925) não sai 52 vezes ao ano, o que a faria semanal; sai 47, porque em cinco edições ela é quinzenal. É, pois, uma revista sofisticada, põe os leitores a pensar até para saber se é semana de ir ao quiosque ou não. Os textos, reportagens, muita opinião e crítica, insistem no estilo - e com sucessivas revisões, não vá uma vírgula a mais. Pequenos cartoons espalham-se pelas páginas, quase sempre sem terem que ver com os artigos vizinhos - servem para espicaçar o leitor, porque o querem acordado. Mas o que mais marca a revista são as capas. Há quem as colecione para fazer sonhar uma parede do escritório. Olha-se para essas capas como um gato, depois do pequeno-almoço, olha pela janela de um arranha-céus de Nova Iorque - o que, aliás, já foi capa da revista, assinada pelo francês Sempé.

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Trump, o caso clínico, e a América, a internar

Semana decrescente. Se é a tendência que conta, a campanha de Hillary Clinton tem interesse em que a semana passe depressa. Titula Nate Silver, o guru das previsões do site FiveThirtyEight: "Com Comey ou Não, Trump continua a Estreitar a Distância para Clinton". Quer dizer, ainda não se pode dizer se as sondagens já são influenciadas pelas declarações do diretor do FBI James Comey, mas Trump avança. Quer dizer, ainda mais dramaticamente: na pior das hipóteses, se a intervenção do FBI contar, as eleições já não são favas contadas para os democratas. Há 15 dias, o site dava 88% de probabilidades de Clinton ganhar, ontem, dava 75%. Os critérios de Nate Silver são complexos, não vale a pena dar os pormenores, o importante é dar conta da tendência: com os mesmos critérios, o salto de Trump é preocupante.

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E se Donald Trump tresleu a frase de Emídio Rangel?

E se tudo não passasse de um teaser? Do maior, mais fantástico e sem vergonha teaser da história da publicidade? A corrida presidencial de Donald Trump tem sido comparada àquele conhecido truque de campanha publicitária que faz anúncios prévios para atrair a atenção para um objetivo falso. E, quando o público está fisgado, satisfaz-lhe a curiosidade com o verdadeiro produto a vender. O candidato Trump seria, nesta versão, nada mais nada menos que o anunciador da futura TV Trump!

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Qual Clinton? Qual Trump? E se for Evan McMullin?

Há coisas impossíveis, como o Leicester ganhar o campeonato inglês de futebol... O quê? Ganhou neste ano?! Rebobinando, então. Certo, certo é o próximo presidente americano ser Hillary Clinton ou Donald Trump... O quê? Há outra possibilidade? Há. Tem 40 anos, o que faria desse candidato-milagre o mais jovem presidente americano, batendo o recorde de Theodore Roosevelt, de 42 anos. Este chegou lá de forma esquisita, depois de concorrer, como vice--presidente, na lista de William Mckinley, que ganhou. Puseram--no na posição secundária porque ele era aventureiro, mas aconteceu que o presidente foi assassinado e Roosevelt tornou-se presidente, em 1901, aos 42 anos.