Afonso Camões

Afonso Camões

A nova Arca de Noé

Cansados da pandemia e tolhidos pelo confinamento, atiramos a cabeça às nuvens e sonhamos com a próxima viagem. É nesse espírito que a União Europeia acelera a criação de um "passaporte sanitário" para salvar a campanha de verão. Eufemismos à parte, o "certificado digital verde", como prefere chamar-lhe António Costa, visa facilitar a livre circulação no contexto da covid-19 e atestar se o seu portador foi vacinado, se tem anticorpos ou deu negativo em teste recente.

Afonso Camões

O vírus da indiferença

Éda sabedoria popular que as más companhias são como um mercado de peixe: acabamos por nos habituar ao mau cheiro. Cedo ou tarde, hão de aprender a lição todos quantos tencionam confiar o seu voto a quem tem feito do ódio e do populismo a sua agenda. O pantomineiro, em cujo nome não gasto tinta, joga tudo nesta eleição presidencial, que jamais vencerá, e ganha votos de cada vez que lhe mencionamos o apelido para responder às suas provocações. Ele não precisa de um discurso coerente e nem precisa de ter razão, muito menos de mostrar factos. Basta-lhe falar grosso para ser notado, como se o trampolim das audiências viajasse no banco traseiro do táxi. A direita que se cuide! Em menos de dois anos, se nada de sério mudar no PSD e no CDS, ele estará a lutar pelo pódio na Assembleia da República, a condicionar a formação de maiorias e até de um futuro governo. Olhem o exemplo dos Açores!...

Afonso Camões

A desigualdade infeta

É chocante a revelação de que as maiores fortunas do mundo estão a crescer à razão de 800 milhões de dólares por dia. E choca também a notícia de que o maior crescimento relativo no comércio automóvel português está na venda de viaturas de luxo e de alta cilindrada. Isto, enquanto a gelada Filomena nos vem recordar que Portugal é um dos países onde mais se morre de frio e que uma em cada cinco das nossas famílias não tem recursos para sustentar o aquecimento das suas casas.