Adriano Moreira

Adriano Moreira

Leviandade

O presidente dos EUA não confia nos historiadores e, por isso, criou um novo registo das suas intervenções de liderança, que é o abuso diário dos tuítes, repetidas vozes animando as respostas críticas alarmantes com a insistência criticada do populismo que pratica. Nesta data em que mostra a certeza de que os senadores republicanos impedirão a sua condenação política, decidiu executar um ato que lhe pareceu animador do apoio eleitoral que tem previsto. Deste modo somam-se intervenções irresponsáveis quanto aos efeitos, no sentido de violar a insuficiente ordem mundial. Não lhe correu bem a tentativa de conseguir um acordo com a Coreia do Norte, mas sobretudo não evitou abalar a segurança atlântica, tendo como referência tornar de novo os EUA fortes, a casa no alto da colina, feliz com o Brexit do Reino Unido, exigente quanto aos custos financeiros da NATO, colocando a Embaixada dos EUA em Jerusalém com a consequência das novas vítimas, redefinindo a conceção de Jefferson - Abade Correia da Serra no sentido de substituir a legalidade do big stick pela construção de um muro.

Adriano Moreira

Resposta à crise da utopia da ONU

A ordem da ONU foi afetada pela exigência da Ordem dos Pactos Militares - NATO e Varsóvia -, enquanto, na ONU, pela primeira vez na história da humanidade, todas as áreas culturais falavam, em liberdade, dos seus valores e sonhos de futuro. As parcelas do império euromundista foram eliminando os poderes coloniais de que dependiam, em todas com conflitos militares, em que se incluiu a chamada guerra colonial portuguesa. É nesta situação que temos de tentar ajudar a encontrar resposta para o tema da inserção global no mundo pós-ocidental, reformulando a utopia da ONU.

Adriano Moreira

A liderança do populismo

O Irão, que foi posto em guarda pela ameaça de intervenção americana, paralisada a poucos minutos do início, mostrando uma surpreendente relação entre os efeitos previstos pelo estado-maior e o alarme tardio do seu comandante supremo, respondeu que não queria a guerra, mas que não a temia. O regime atual partiu da revolução de 1979 que, derrubando a monarquia, instaurou uma República dita para a "independência e liberdade", integradora das diversas correntes políticas orientadas para um projeto estratégico renovador.

Adriano Moreira

O modo de vida europeu

A nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além das dificuldades que enfrenta para completar o seu executivo, também é obrigada a rever a semântica, um domínio em que facilmente acontece que o sentido fica de entendimento mais difícil, mas aceitando "mudar o nome de três pelouros", nuns casos alegando que para esclarecer com rigor o conteúdo, mas noutros por "resignação", que de regra significa divergência quanto aos objetivos.

Adriano Moreira

O princípio da leviandade

Ao mesmo tempo que o secretário-geral da ONU, António Guterres, tenta mobilizar os Estados para o dever de enfrentarem o desafio do ambiente, na abertura da 74.ª Assembleia Geral da ONU, os governantes dos EUA e do Brasil, esquecidos do diálogo esperançoso que, por cartas, tiveram Jefferson e o Abade Correia da Serra, ignoram que, se o planeta pode ser destruído pela leviandade de qualquer suposta grande potência, não há um só Estado com a capacidade necessária para enfrentar os desafios do globalismo da nova circunstância sem governança.

Adriano Moreira

Globalismo sem estratégia

Talvez a criação do conceito e realidade de "fronteiras", aplicável ao género humano, seja uma referência da "época" inicial da estabilidade dos povos. Que essa estabilidade tenha exigido condições de subsistência, fidelidade entre os membros do grupo, criação de amor à terra, valores culturais articulando o passado com o presente e uma utopia de futuro, foram elementos que antecederam e retardaram à chegada à conceção do "mundo único", isto é, sem guerra, porque "o planeta é a morada de todos os povos e seres vivos". Designadamente, quanto à Europa, desapareceu a ideia de que "outrora existiram populações puras", sendo geralmente sabido que agora os cientistas estão a dar novas respostas à seguinte pergunta: quem são verdadeiramente os europeus e de onde vieram?

Adriano Moreira

A nova governança mundial

O problema dos emergentes tem uma referência normativista inicial na definição da ordem do relacionamento e hierarquia das potências que um código jurídico define, incluindo a previsão da rota da evolução, mas esta desvia-se frequentemente do previsto. Este desvio semeou o panorama global de uma multiplicação de desafios que colocam em crise as previsões da ordem jurídica acordada no fim da Segunda Guerra Mundial. Esta ainda aceitava uma aristocratização das potências pela definição do grupo com direito de veto, mas para o resto do mundo prometia a igual dignidade.

Adriano Moreira

Navegantes da fé

Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.