Adolfo Mesquita Nunes

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.

Adolfo Mesquita Nunes

Derrotar Le Pen

Marine Le Pen não cativou mais de dez milhões de franceses, nem alguns milhões mais pela Europa fora, por ter sido estrela de conferências ou por ser visita das elites intelectuais, sociais ou económicas. Pelo contrário, Le Pen seduz milhões de pessoas por ter sido excluída desse mundo: é nesse pressuposto, com essa medalha, que consegue chegar a todos aqueles que, na sequência de uma crise internacional e na vertigem de uma nova economia digital, se sentem excluídos, a ficar para trás, sem oportunidades.

Adolfo Mesquita Nunes

O começo de um partido

O começo de um livro é precioso, escreveu Maria Gabriela Llansol, num livro que há muito escolhi guardar em mim. Comprei-o num dia inicial, que eu queria limpo como no "Recado" de Al Berto; em que me apetecia transformar esse início num objeto, como se fosse possível encapsular a expectativa em algo físico, apropriável. Tenho-o comigo desde então, porque me tem valido de muito, até de inspiração, até de discurso - que o citei num congresso do CDS há uns anos -, mas sobretudo de advertência, instrução.

Opinião

O Estado e a família

Lembro-me da primeira vez que me disseram que eu não defendia os valores da família, que os relativizava no meu liberalismo. Lembro-me do dia, do sol que nos cegava. Lembro-me da roupa que vestia, calças verdes e uma T-shirt estupidamente larga, alaranjada. Lembro-me de quem o disse, do dedo espetado, acusador. Lembro-me dos aplausos, do coro. Lembro-me disso tudo e por isso tudo me lembro de ter procurado um sítio para ficar sem que ninguém me visse, sem reagir.

Adolfo Mesquita Nunes

Precisamos de liberdade económica

Só superaremos o medíocre comportamento que a economia portuguesa manifesta desde 2000 com a opção pela liberdade económica. Sem a liberalização da economia continuaremos a marcar passo. Pode parecer estranho este repto, porque há a ilusão de que somos um país de neoliberalismo, mas se há índice em que nos afastamos decisivamente dos nossos parceiros é o da liberdade económica. No ranking mundial estamos em 72.º, a Letónia em 28.º, a Irlanda em 6.º. O que temos por cá não é liberalismo, portanto. Um capitalismo de Estado, talvez, ou de compadrio, mas não um verdadeiro liberalismo.