acordo ortográfico

Opinião

O melhor português possível

Se a justificação de modernizar e uniformizar o mais possível a língua portuguesa em todos os países que a utilizam era um argumento válido - mesmo sendo difícil acreditá-lo possível -, a forma que o acordo ortográfico tomou sempre me deixou desconfortável. A razão: a modificação pouco natural de palavras que aqui, onde nasceu a língua, se usavam para facilitar a expressão de quem veio a adotá-la. Foi a reversão do que deve estar na base de um acordo do género - não colhe a argumentação de que ainda escreveríamos farmácia com ph se não acompanhássemos a evolução, porque o que se fez não foi oficializar o que já se usava correntemente mas mudar as regras à partida e esperar que o hábito se lhes seguisse. Por outro lado, já se viu que a justificação tantas vezes repetida de que o acordo evitaria peculiaridades como as ridículas conversões de texto do português de Portugal para o português do Brasil, por exemplo, não encontrou paralelo na realidade. Uma pastelaria continua a não ser uma lanchonete, o encarnado mantém sentido dúbio consoante o lado do Atlântico em que seja usado, tal como as construções frásicas e os tempos verbais mantêm as suas especificidades conforme estejam mais ou menos adocicados.