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Pedro Marques Lopes

O Elvis está vivo

Ontem e anteontem, realizou-se na Universidade do Porto uma espécie de conferência sobre alterações climáticas. A esmagadora maioria dos conferencistas contraria o consenso científico sobre os efeitos do dióxido de carbono nessas mudanças. Gente que afirma, entre outras barbaridades, que o CO2 não provoca alterações meteorológicas ou climáticas, que as futuras gerações irão beneficiar com o acréscimo de dióxido de carbono na nossa atmosfera, que as fábricas alimentadas a carvão oferecem a eletricidade mais limpa do mundo. Ou seja, a dita conferência pretende promover e divulgar teses sem o menor fundamento e que vão ao arrepio do consenso da comunidade científica.

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A Margarida e o 25 de Abril

O mais importante no muito falado discurso da deputada Margarida Balseiro Lopes foi sem dúvida a mensagem. A lembrança de que a Revolução de Abril não fechou fronteiras mas que as abriu, que o 25 de Abril é de todos os que acreditam na democracia, na liberdade e na capacidade de fazermos um país melhor aproveitando as nossas diferenças de opinião. Mais do que tudo, enunciou, de uma forma que já não se ouvia há muito, todos os objetivos a que nos propusemos como comunidade depois da Revolução. A social-democrata falou de educação, de saúde pública, de segurança social, de inclusão, de discriminação, de direitos laborais, de cultura e de outros assuntos que dão verdadeiro conteúdo à liberdade e à democracia.

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Populistas, gelados na testa e flores

1. Vai surgir uma nova polícia. Uma que se dedica só aos políticos. Essa classe que se distingue de todas as outras por ter uma quantidade inusitada de potenciais marginais, de gente com uma propensão desmesurada para ludibriar a lei. Não chegaram as polícias que se destinam a todos os cidadãos, o escrutínio a que os media - e muito bem - sujeitam os detentores de cargos políticos, as declarações que estes são obrigados a fazer, todas as leis sobre transparência e incompatibilidades... Como é sabido tem sido um fartar vilanagem. Melhor, não tem sido, mas é só porque os políticos são tão malandros que têm escapado a tudo. Agora com a criação de uma brigada especial, com um qualquer Elliot Ness a liderá-la, os políticos não mais prevaricarão. Aliás, com o mais que certo sucesso desta iniciativa é quase garantido que serão formadas polícias para vigiar médicos, atores, canalizadores, professores, jornalistas, juízes, agentes de segurança pública, gestores. Não, pensando melhor, isso não acontecerá, nessas profissões não há uma tendência natural para o crime.

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Os monstros que nos querem dominar

1. A primeira menção sobre a questão da Cambridge Analytica, a empresa que conseguiu piratear o Facebook e ficar com os dados de mais de 50 milhões de utilizadores da rede social, vai para o jornalismo e para a maneira como fica evidente o seu papel único, vital, incomparável na vida das democracias. Foi o trabalho de investigação do Observer/The Guardian com o denunciante Christopher Wylie (um daqueles rapazes que trocaram a excitação dos jogos de estratégia por brincar com as nossas vidas e as nossas comunidades) que permitiu vermos a ponta de um icebergue que ameaça dominar todos os aspetos da nossa existência.