200 anos da independência do Brasil

Leonídio Paulo Ferreira

O índio de Viseu

Visitei há dias o Museu Grão-Vasco, em Viseu. E é impossível não ficar fascinado com A Adoração dos Reis Magos, do português Vasco Fernandes (O Grão-Vasco) e do flamengo Francisco Henriques. Esta obra, datada de 1501-1506, traz a primeira referência ao Brasil na arte ocidental, pois Baltazar surge representado como um índio, reconhecível pelo toucado de penas. A sua pintura terá acontecido pouco depois do Descobrimento, por Pedro Álvares Cabral, daquela que começou por ser chamada a Terra da Vera Cruz e certamente foi reação à carta de Pedro Vaz de Caminha a D. Manuel I a descrever a população indígena como propensa a receber o cristianismo, ideia que só podia ser, dado o curto espaço de tempo lá passado pelos portugueses antes de a Armada rumar à Índia, um desejo e não uma convicção, mesmo que o Brasil seja hoje o país com mais católicos no mundo.

Ana Paula Laborinho

O grito do Ipiranga

Tem sido muito destacado, por pouco habitual, também ser celebrado em Portugal o Bicentenário da Independência do Brasil. A data simbólica de 7 de setembro em que D. Pedro rompe as relações de subordinação com Portugal e grita nas margens do Ipiranga "Independência ou Morte!", permitiu, ao longo destes dois séculos, a visão romantizada do país colonizador que liberta a sua colónia. Decerto um dos melhores resultados destas comemorações tem sido a profusão de encontros científicos e publicações (livros, artigos, nomeadamente dirigidos ao grande público) que mostram a complexidade desse processo.

Os desafios para os próximos 200 anos

Brasil. No país onde os partidos são negócio

Como combater corrupção e clientelismo num sistema político feito à medida deles? Qual o futuro do centro-direita? A jovem democracia brasileira resistirá à pressão exercida por Bolsonaro e militares? O Diário de Notícias inicia esta quinta-feira a publicação de um ciclo de reportagens dedicadas aos 200 anos da independência do Brasil, que serão celebrados a 7 de setembro.