1864

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E que tal uma quarentena das redes para animar?

A minha sobrinha Beatriz tem 8 anos e faz parte de uma geração que não conhece o mundo sem internet. Criou um perfil no Facebook no ano passado, com autorização da minha irmã, depois de mentir à descarada na idade (o que a mim me pareceu bastante precoce, mas a mãe é que sabe e nessas coisas não me meto). Dois dias mais tarde, ao ver que não tinha ido a correr amigá-la como toda a gente (confesso que demorei a ver a notificação e ainda estava a tentar perceber quem raios seria aquela miúda de 16 anos a pedir-me amizade), ligou-me muito digna, visivelmente amuada comigo, a dar-me a desanda do século pelo atraso imperdoável: "Suponho que devas ser uma pessoa muito ocupada para me deixares assim à seca!"

1864

O que nos dá a gastronomia de Paris

Difícil é escolher, fácil é entregar-se. Paris tem muitas leituras culinárias, quase uma para cada gosto, e ainda é a capital mundial da alta-cozinha. Cada refeição é um ato cultural, carregado de intenção, filosofia e história. Ensaio de Fernando Melo* Maison Rostang, do chef Michel Rostang (2 estrelas Michelin), o mesmo que oferece no máximo três sabores em cada prato; Carré des Feuillants, do chef Alain Dutournier (1 estrela Michelin), o campeão da simplicidade e da intensidade do gosto; e Arpège, do chef Alain Passard (3 estrelas Michelin), o mago do mundo vegetal; são mesas muito diferentes umas das outras [...]

Ricardo Simões Ferreira

Uma lição de psicologia marciana

A história é contada por Carl Sagan, mais ou menos desta maneira: quando, a 21 de julho de 1976, a sonda V iking 1 enviou a primeira fotografia a cores da superfície de Marte, a expectativa entre os cientistas da missão era enorme. No dia anterior, o primeiro engenho da humanidade a conseguir enviar imagens do planeta vizinho tinha fotografado o seu próprio pé (para que se pudesse aferir a estabilidade do aparelho após a aterragem), mas tratara-se de uma foto a preto e branco.

Catarina Pires

Março: o mês em que deixei de ser só Catarina

Um metro e oitenta, para aí, noventa quilos, para aí. Depois dele, que nasceu em março, com três quilos e quatrocentos e quarenta e nove centímetros, deixei de ser só Catarina para passar a ser também mãe do João. Sempre quis ser mãe, apesar do carrinho de bebé e dos bonecos chorões a minha infância toda a um canto, sem ninguém que brincasse com eles, e naquela manhã de março aconteceu. Nasci outra vez, com o meu primeiro filho.