1864

Marcelo Rebelo de Sousa

Sá Carneiro "poderia vir a ser Presidente da República"

Em entrevista, Marcelo Rebelo de Sousa considera que se Sá Carneiro perdesse as eleições "iria combater para a Assembleia da República" e até "poderia vir a ser Presidente da República". Ressalva que "é impossível fazer a prova" mas "teria, sempre, um protagonismo determinante e duradouro na vida política portuguesa". Sá Carneiro morreu a 4 de dezembro de 1980.

Vila de Frades

Vinho da talha: beber como um romano

Mais conhecidos pelas conquistas militares ou pelos ócios exuberantes, os romanos foram também dedicados agricultores. Criaram uma autêntica civilização do vinho e levaram-na a vários pontos do seu império, incluindo a Península Ibérica. Em Vila de Frades, no Centro Interpretativo do Vinho da Talha, prestes a inaugurar, é-nos possível saber ao que sabe e como ainda hoje se produz vinho à maneira dos antigos.

Onésimo Teotónio Almeida

Eleições americanas: uma declaração pessoal de princípios éticos

Os Estados Unidos estão a viver um momento particularmente tenso e difícil da sua história. Dentro de dias teremos uma das mais determinantes eleições em dois séculos e meio de existência como nação independente. Nesta altura da campanha eleitoral, já praticamente todas as pessoas tomaram a sua decisão e cada qual votará segundo a sua consciência (aliás, muitos de nós até já votaram). Por isso, com esta minha crónica não espero convencer ninguém a alterar o seu ponto de vista. E, todavia, sinto-me impelido a vir fazer publicamente algo que nunca antes ousei na minha vida: uma declaração de voto.

Tatuagens

"Amor de mãe" à flor da pele

"Em Nambuangongo tu não viste nada". Um soldado português, como no poema de Manuel Alegre, olha a morte e "fica mudo". No norte de Angola, tão longe de tudo o que conhecera neste mundo, é um dos sobreviventes do seu batalhão mas, em homenagem aos companheiros mortos nessa que foi uma das batalhas mais duras da Guerra Colonial, decide inscrever na pele a dor, o medo, o sentimento de abandono que jamais o deixarão. Tudo o que não conseguiria traduzir por palavras: "Amor de mãe", "Angola" (ou Guiné ou Moçambique) e uma data, ou simplesmente o nome da unidade a que pertencera sobre um dos braços ou mesmo do peito. Marcas tão definitivas como sinais de nascença.

1864

Uma nobre, mas não menos diabólica história da tatuagem

Estatuto, honra, clã, salvação, bálsamo contra as enfermidades, mas também demoníaca e vandalismo corporal. O elenco de atributos associados às tatuagens é tão extenso como a sua presença na história. Múmias com milhares de anos deixam-nos o relato antigo de marcas perenes na pele de humanos que habitaram todos os continentes. De símbolo demoníaco na Europa a dádiva dos deuses na Oceânia, às tatuagens não escapou a pele de figuras como Jorge V de Inglaterra ou Nicolau II da Rússia.