1864

1864

Espanha: Um grande povo a galope

Espanha é um daqueles países que deixam marca no mundo. Mas não é um país que vive do passado, das memórias da Reconquista ou da descoberta da América. Pelo contrário, é hoje uma potência económica, um colosso cultural, uma democracia pujante desde que se libertou do franquismo, há quase meio século. Vive momentos complicados, com o separatismo catalão? Sim, mas a nós portugueses o mais que se exige é que sejamos capazes de compreender aquela que nos livros da escola surge como o inimigo histórico, mas que na verdade nos seduz, por mais patriotas que sejamos, desde sempre. Afinal, Cervantes, Velázquez, Picasso, são espanhóis.

1864

Geographia apresenta nova carta com "degustação" por 4 continentes

O restaurante lisboeta "Geographia" acaba de lançar uma nova carta. Os novos pratos continuam a "viagem" por vários locais do planeta com ligações a Portugal. Os novos pratos tem influências que vão desde Angola ao Brasil de Macau a Timor. Uma das novidades da carta é o novo menu de "degustação dos 4 continentes". A experiência começa com sapateira e é seguida do "brasileiro" "Escondidinho de puré de mandioca com camarão e queijo catupiry caseiro", de raízes sul-americanas e, em representação do continente asiático. Também asiático o "Pato do Rio das Pérolas com molho de ostra e arroz chau-chau". De [...]

Opinião

O muro e o arame farpado invisíveis

Uma imagem da beleza e do inconformismo aos 90 anos, mas com o braço direito partido, uma festa de 88 anos com um bolo com apenas duas velas - o sopro já não aguenta muitas mais -, ou uma solidão acompanhada de quem faz 92, a trincar a aliança e na companhia de amigos velhos: os que estão na fotografia e os poucos que restam na memória. O dinheiro não estica para pagar o lar, os medicamentos, as fraldas e a coragem. Três pessoas que têm estado a sós e esperam a ajuda de outras tantas para que cuidem delas. E há uma que as tem a todas, em parte, ao ombro e na carteira de uma pensão curta. Não são as três pessoas que estão sozinhas, são as quatro. Todas no limite de depressões e exaustões que não têm tempo para se curarem, mas que têm de se resignar e ser resilientes (para usar a expressão da nova felicidade e superação que se ouve em toda a parte).

Muro de Berlim

Leonídio Paulo Ferreira: Este muro era para impedir que saíssem 

A frincha no muro tem escassos milímetros, mas chega para se ver a faixa da morte, com a sua velha torre de controlo e o caminho usado pelos guardas fronteiriços para fazer a patrulha. Dos espigões de ferro que se erguiam do solo (a "relva de Estaline") e do arame farpado que os antecedia já não há vestígios. Ao fundo, talvez a uns 60 metros, surge o obstáculo final, outro muro de betão, mais alto e sem quaisquer aberturas. E visível ainda, com dificuldade, aparece o topo dos edifícios do outro lado, o livre, da Bernauer Strasse, uma rua berlinense cheia de histórias trágicas da Guerra Fria, daquelas que inspiraram os primeiros romances de espionagem de John le Carré. É esta experiência de um tempo de prisão que acabou a 9 de novembro de 1989 que oferece o Memorial do Muro de Berlim, hoje a parte mais bem conservada dessa fronteira artificial que separava Berlim Oriental, sob tutela comunista, de Berlim Ocidental, parte da RFA, fiel aos valores da democracia e da liberdade.

Opinião

"Meninas" e "meninos" do meu Porto

Lisboa, 2017. Aconteceu numa caixa de supermercado, a primeira vez que senti a falta do meu Porto. A "menina" não me lançou uma nota qualquer sobre o tempo que fazia lá fora (muito chuvoso, para um mês como maio) nem comentou a promoção de papel de cozinha que eu estava a aproveitar. Um a um, cada artigo ia acionando o bip na leitura de código de barras da caixa, à medida que eu enchia o meu saco e pensava como aquela "menina" (como chamamos lá no meu norte, quer a "menina" tenho 8 ou 80 anos) jamais saberia sequer de que cor eram os meus cabelos. Nunca levantou a cabeça e eu nunca lhe soube a cor dos olhos.

Premium

1864

As viagens dos comeres

A Exposição Universal 2015 realizou-se em Milão, Itália, e o seu lema foi: A Alimentação no Mundo. É assunto que nos interessa a todos e dele todos sabemos um pouco. Que o Canadá não é reputado pelas suas tâmaras ou que há uma ligação entre o bacalhau e a Noruega ou que há uma história de amor entre as laranjas e o Mediterrâneo. Tente entrar num restaurante lisboeta sexta-feira à noite sem ter prevenido o dono da casa "olhe que vou passar por aí às 20.30 e levo três amigos" e, enquanto espera no passeio, confirme: comida é assunto que junta muita gente.

1864

Tocar o céu na maratona

Uma necessidade que se tornou um vício e um sinónimo de desafio, alegria e bem-estar. Comecei a correr para perder peso e conseguir passar nos testes práticos de Educação Física. Corria 15 ou 20 minutos a um ritmo baixo e chegava-me, não conseguia mais. E, quando o secundário terminou, correr por correr parecia não fazer sentido e o que escasseava de motivação sobrava em outras formas de passar o tempo, embora a corrida seja o desporto mais simples e barato de se praticar. A dada altura, fez-se luz na minha cabeça: porque não participar numa prova? O objetivo de completar sete quilómetros ao lado do meu pai foi o início de uma história de amor.