Zuckerberg cria plano para curar todas as doenças do mundo

O fundador do Facebook e a mulher anunciaram o lançamento de um novo programa que vai investir três mil milhões de dólares na próxima década

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, e Priscilla Chan, médica e sua mulher, acabam de anunciar um programa com um dos planos mais ambiciosos da história: curar todas as doenças no futuro. Chama-se Chan Zuckerberg Science e vai investir três mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) durante a próxima década para tentar atingir este objetivo.

"Estamos no limite do que compreendemos sobre o corpo humano e as suas doenças", declarou Priscilla Chan, que fez a apresentação em São Francisco de forma muito emotiva - chegou mesmo a chorar quando falou da sua experiência como pediatra e crianças com doenças terminais. "Eu e o Mark [Zuckerberg] temos conversado com cientistas nos últimos dois anos, e acreditamos que este futuro que todos queremos é possível", afirmou. Trata-se de curar, prevenir ou gerir todas as doenças do mundo nas próximas décadas, resumiu a médica, que deu à luz à primeira filha do casal-sensação de Silicon Valley há dez meses.

Os 2,7 mil milhões de euros serão usados para juntar médicos, cientistas e engenheiros numa missão coletiva para criar ferramentas tecnológicas que permitam o próximo passo na evolução da medicina. A Chan Zuckerberg Science será liderada pela neurocientista Cori Bargmann e surge na sequência da Chan Zuckerberg Initiative, uma iniciativa que o casal lançou no ano passado e tem estado focada em educação.

O primeiro investimento da Chan Zuckerberg Science já está decidido: é o BioHub, com 600 milhões de dólares (cerca de 530 milhões de euros), liderado por Joe DeRisi e Stephen Quake, especialistas em biofísica e bioengenharia. Aqui serão reunidos investigadores de Stanford, Berkeley e UCSF com engenheiros de classe mundial. Um dos objetivos é mudar a forma como a investigação é financiada, permitindo aos investigadores focarem-se na colaboração e na excelência em vez de os fazer competir por fundos.

"Juntar cientistas e engenheiros, construir ferramentas e tecnologias e ajudá-los a fazer crescer este movimento para financiar a ciência. Este é o plano", sintetizou Mark Zuckerberg, que abraçou a mulher visivelmente emocionada e declarou a uma audiência cheia de especialistas "Amo-a. É uma inspiração tão grande."

O CEO do Facebook, que tem investido forte em inteligência artificial nos últimos anos, disse que estas tecnologias, juntamente com machine learning e analítica, são as ferramentas em que a iniciativa se quer focar. "Se pudermos desenvolver novas ferramentas que nos permitam ver novas categorias de doença, podemos ajudar cientistas em todo o mundo", explicou. O executivo admitiu que as grandes descobertas, as que avançam a ciência, demoram muitos anos a acontecer. A ideia é acelerar esse processo.

Zuckerberg disse ainda que é incrível como a sociedade gasta 50 vezes mais dinheiro a tratar pessoas doentes que a investigar como prevenir e erradicar essas doenças. "Fazemos isso porque acreditamos que as pessoas irão sempre adoecer." Mas Mark e Priscilla acreditam que não tem de ser assim e que será possível curar as doenças durante a vida da sua filha, Max.

Bill Gates o "mentor"

Também houve um convidado surpresa: Bill Gates, cofundador da Microsoft e um dos maiores filantropos da atualidade, a quem Mark Zuckerberg chamou de mentor e a maior inspiração, que o levou a ele e a Priscilla a acreditar que um plano destes era possível.

Gates apelidou o plano de curar todas as doenças até ao final do século XXI "arrojado e muito ambicioso." Juntamente com a mulher, Melinda Gates, o visionário criou a Fundação Bill e Melinda Gates há 15 anos com um grande foco em curar a malária e a poliomielite.

"Precisamos de mais ciência", declarou, contando que conversou com Zuckerberg durante a mais recente crise de ébola sobre as deficiências na investigação para curar esta doença epidémica. "Apenas com ciência poderemos ter as ferramentas para permitir prevenção em larga escala", avisou.

Gates disse também que esta é uma era dourada em avanços científicos. "É uma era mágica para juntar este grupo de especialistas para enfrentarem estes problemas", referindo-se às ferramentas já disponíveis, por exemplo na sequenciação do genoma humano. "A visão e generosidade do Mark e da Priscilla estão a inspirar uma nova geração de filantropos", referiu, dizendo que está impressionado com a equipa anunciada hoje. "Um dia, teremos o orgulho de dizer que estivemos aqui no momento em que o Mark e a Priscilla iniciaram esta jornada."

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