Venda de carros elétricos quase triplica mas ainda não chega a 500

Transportes são responsáveis por um quarto das emissões de gases com efeito estufa. Mobilidade elétrica é via para reduzi-las

As vendas de carros elétricos ainda são muito reduzidas em Portugal, mas há cada vez mais empresas e particulares a escolher veículos amigos do ambiente. Entre janeiro e outubro deste ano venderam-se 422 carros elétricos, mais 273 do que no período homólogo do ano passado, o que representa um crescimento de 183%. No total, é estimado que circulem no país cerca de 1180, o que continua a ser um número muito pouco expressivo no universo dos 5,7 milhões de automóveis que existem em Portugal. Num momento em que se discutem em Paris as alterações climáticas, os automóveis elétricos apresentam-se como uma alternativa para reduzir as emissões de gases com efeitos estufa. Esta foi, inclusive, a opção de mobilidade escolhida pelos organizadores da cimeira do clima de Paris (COP21).

De acordo com os dados cedidos ao DN pela Associação Automóvel de Portugal, este foi o ano em que se venderam mais carros amigos do ambiente no país. "Este crescimento está relacionado com uma maior confiança no carro elétrico, uma oferta cada vez mais diversificada e com os incentivos para as empresas na renovação das frotas", destaca Luís Reis, do CEIIA - Centro de Excelência para a Inovação na Indústria Automóvel.

O exemplo dado por municípios e empresas bem como o programa para a aquisição de carros elétricos na administração pública são, na opinião de Luís Reis, importantes para promover a mobilidade sustentável. No entanto, o também vice-presidente da Associação Portuguesa de Veículos Elétricos lembra que "falta fechar o projeto-piloto que arrancou em 2011". Existem 1300 postos de carregamento espalhados por 50 cidades portuguesas, mas o projeto incluiu outros 50 de carregamento rápido. Apenas um foi instalado, em Vila Nova de Gaia. "Isso daria uma confiança adicional ao mercado."

A rede que existe atualmente é, para Luís Reis, suficiente, mas há problemas que precisam de ser ultrapassados. "A grande maioria das queixas dos utilizadores prende-se com falta de sinalização ou de fiscalização", explica. Não raras vezes, os lugares são ocupados por veículos convencionais.

O setor dos transportes representa cerca de 24% das emissões nacionais de gases com efeitos estufa. "Atendendo ao peso elevado do setor rodoviário, a eletrificação dos carros teria um peso bastante grande ao nível de redução de emissões desde que os automóveis fossem carregados com energias renováveis", afirma Ana Rita Antunes, da Quercus. O tráfego de automóveis nas cidades está associado "a problemas ligados às alterações climáticas, que de discutem na COP21, e também à saúde pública".

Incentivar a compra

Na opinião da Quercus, "manter os incentivos à compra de veículos elétricos" será uma das formas de impulsionar este tipo de mobilidade. "É preciso trabalhar no aumento da procura. Ainda há estigma associado a estes veículos", adianta Ana Rita Antunes. Além do preço - "que ainda é bastante elevado" -, existem "muitas dúvidas em torno do carro elétrico", nomeadamente ao nível da autonomia. "É preciso aumentar a informação sobre as vantagens destes veículos", sugere a representante.

Prioridade do novo governo

Impulsionar e expandir a mobilidade sustentável é uma das prioridades do novo governo. No programa atual lê-se que os governantes pretendem "direcionar os incentivos à aquisição de veículos elétricos para os segmentos com maior impacto energético e ambiental, como os autocarros de serviço público de transporte, táxis, transporte escolar". Entre outras medidas, o governo vai "comprometer o Estado e as autarquias locais com a aquisição de 25% de veículos elétricos aquando da renovação da sua frota" e "reabilitar e redimensionar a rede de carregamento pública Mobi.E".

Para incentivar a mobilidade elétrica junto dos particulares, a EDP lançou a campanha Energy2move, em parceria com fabricantes do setor que disponibilizam estes carros, nomeadamente a BMW, a Mercedes, a Nissan e a Volkswagen.

Um ano de eletricidade grátis

Disponibiliza tarifários com desconto à noite para carregar as viaturas e posto de carregamento para abastecer o carro em casa "mais depressa e em segurança". Além disso, a EDP oferece um ano de eletricidade (no valor de 400 euros) aos clientes particulares que comprarem um veículo elétrico dos seus parceiros em 2015.

Para as empresas, foi lançada também uma oferta de mobilidade elétrica. José Lobato Duarte, diretor da EDP Comercial, explicou ao DN que "pode incluir postos de carregamento, fornecimento de energia, o sistema de gestão de consumos e apoio e aconselhamento em relação à decisão de optar pela mobilidade elétrica". Com o objetivo de dar a conhecer este conceito de mobilidade amigo do ambiente e as suas vantagens, foi feito recentemente um vídeo de divulgação com Rui Unas, que conduziu passageiros pelas ruas de Lisboa em veículos elétricos.

Equivalente a carro convencional

Atualmente, a utilização de um carro elétrico é, quase sempre, equivalente à de um veículo convencional. É esta a convicção de Luís Reis. "Permite uma utilização confortável, segura, com baixos níveis de ruído e de muito baixo custo." O preço é mais elevado "porque a tecnologia é nova, mas dentro de dois anos as baterias vão duplicar a capacidade e reduzir o preço".

Há segmentos a partir dos 17 mil euros e outros que chegam aos 40 mil. Por cá, há oferta na gestão de sistemas, através do CEIIA, e nas infraestruturas (Efacec, por exemplo). Faltam apenas os veículos nacionais. Mas ao que tudo indica, o Veeko - made in Portugal - estará à venda já no próximo ano.

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