Universidade Júnior regressou com centenas de alunos portugueses e estrangeiros

Após uma pausa de dois anos devido à pandemia, a Universidade do Porto (UP) voltou a abrir portas a crianças e jovens (dos 11 aos 17 anos) para serem "caloiros" nas várias faculdades da instituição.

Quando as inscrições abrem para frequentar a Universidade Júnior da UP, esgotam em poucas horas. Tem sido assim desde 2005, ano em que o programa de verão arrancou. Este ano não foi exceção. Mais de 2500 crianças e jovens participaram, entre os dias 15 e 29 de julho, em atividades que passaram pelas ciências, saúde, artes, línguas ou desporto.

Muitos dos 300 monitores que acompanham os "caloiros" já foram, no passado, alunos da Universidade Júnior. É o caso de Matilde Dinis, de 21 anos, antiga aluna da Júnior em 2018. A jovem estudante de Arquitetura acompanhou agora crianças do 5.º e 6.º anos na atividade "Experimenta o Verão". Os alunos experimentaram atividades diversificadas, que cada dia decorreram numa faculdade da UP diferente, como Engenharia, Medicina Dentária, Arquitetura, entre outras. "Fico surpreendida com a criatividade e a curiosidade das crianças. Ficam muito entusiasmadas com a construção das maquetas e muitas nem querem fazer intervalo", conta ao DN a monitora.

Com pedaços de esferovite na mão, usados para a construção da sua "casa", Matilde Lage, de 11 anos, não consegue apontar que atividade mais gostou de fazer. "Adorei a atividade com as plantas e de aprender grego, mas gostei de tudo e saio daqui mais esperta e com muitos amigos novos", sublinha. Os irmãos mais velhos da menina já participaram na Universidade Júnior e incentivaram a sua inscrição. Matilde já sabe que quer "regressar no próximo ano", tal como os irmãos fizeram. "Quero aprender mais coisas da próxima vez e reencontrar os amigos que fiz agora, como o Tomás, a Leonor, a Isabel e o Martim", conta. Miguel Dias, de 11 anos, também veio à Universidade Júnior após a irmã mais velha ter frequentado o programa. Da experiência salienta a "diversão e aprender coisas novas. Foi a primeira vez que vim e estou a adorar. Gostei da atividade de arquitetura, porque nunca tinha construído uma maqueta e ganhei mais noção do espaço e da dificuldade para se fazer uma casa bonita. Fiz muitos amigos também e estou a adorar a experiência", avança.

As monitoras Luana Santos e Camila Sehn acompanharam os "caloiros" do 9.º ao 12.º anos na atividade "A tua ideia, o teu projeto", também ligada à arquitetura. Aqui, os estudantes trabalham em grupo na construção de um prédio, onde cada um fica responsável por um piso. "Muitos dos participantes já tinham gosto pela área de arquitetura e todos ficam entusiasmados na construção da maqueta", explicam as monitoras. Foi esse gosto e vontade de ser arquiteto que levou Rodrigo Coimbra, de 15 anos, a deslocar-se de Lagos, no Algarve, para participar na Universidade Júnior da UP. A inscrição surgiu por aconselhamento do psicólogo da escola e do irmão mais velho, antigo aluno da Júnior. "Vim de propósito porque queria experimentar e saber se é mesmo arquitetura que quero seguir", explica, adiantando já ter certezas quanto ao futuro. "Quero ser arquiteto. Não estava à espera de ter tanto jeito. Foi a primeira vez que vim e a primeira vez que fiquei longe de casa, mas valeu muito a pena e quero voltar no próximo ano", afirma.

Sob o olhar atento da monitora Sara Silva, uma jovem licenciada em Bioquímica, alunos dos 5.º e 6.º anos participaram na atividade "Uma aventura no Laboratório de Química", onde fizeram inúmeras experiências. "Fazemos experiências de eletricidade e eletroquímica. As crianças fazem pilhas e baterias com limões e batatas e é bem visível o entusiasmo. Querem reproduzir em casa para mostrar aos pais e irmãos", informa. Para Sara Silva, "o mais importante é divertirem-se". "Estou a adorar ser monitora e a ver o quão interessadas as crianças estão nesta área. Tem sido muito gratificante", sublinha. Francisca Silva, 11 anos, estava ansiosa pelo dia da atividade no laboratório, porque quer ser cientista. "Era mesmo o que eu estava à espera. Fiquei surpreendida por poder fazer experiências com coisas como uma batata. Queria aprender coisas de mais velhos e sentir o que era andar na universidade, e adorei tudo. Quero voltar e sei que quero ser universitária no futuro", relata.

Luís Calejo, 12 anos, partilha o mesmo entusiasmo e já pensa nas notas que precisa de ter para "entrar na universidade". "Queria saber como era o ambiente universitário e fiquei surpreendido porque achei que era mais rigoroso", explica. Luís já escolheu Física e Química como carreira de futuro e esta experiência na Universidade Júnior "foi a confirmação" do caminho que já queria seguir.

Raul Santos, diretor de Comunicação e Imagem da UP, aponta a ajuda nas escolhas de futuro como uma das muitas vantagens da frequência da Universidade Júnior. "Alguns alunos mais velhos inscrevem-se para saber se devem ou não seguir determinada área. Há casos em que, após a experiência, percebem que não é bem o que pensavam, o que permite escolhas futuras mais consistentes e evita as desistências de cursos superiores no 1.º ano." Este ano, conta, a Universidade Júnior ainda não voltou totalmente ao que era antes da pandemia. Isto porque apenas abriu na última quinzena de julho e não o mês inteiro, como era costume.

"Tivemos no Superior um calendário escolar que terminou mais tarde e tínhamos faculdades que não tinham disponibilidade para a primeira quinzena", conta.

Havia seis mil inscrições em pré-pandemia, um número inferior à edição deste ano. "O nosso grande desafio será regressar ao normal no próximo ano. Nesta edição, muitos não conseguiram inscrever-se por falta de vagas", diz. Segundo o responsável, desde o arranque do programa, em 2005, a Júnior tem vindo a crescer "em capacidade e em número de atividades. É o maior e mais antigo projeto com jovens e crianças criado numa universidade portuguesa", sublinha.

dnot@dn.pt

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