Uma associação em homenagem a Brigitte

Cinco amigas saíram do funeral de Brigitte e decidiram que tinham de fazer algo positivo. Foi aí que criaram a Associação Laço que há 17 anos começou a apoiar o rastreio mamário e agora aposta na investigação para passo a passo se encontrar o caminho para a cura do cancro da mama

Brigitte tinha pouco mais de 40 anos quando lhe foi diagnosticado um cancro na mama. Inglesa, casada com um português, foi operada e tratada no seu país. Tudo corria bem, mas ao fim de dois anos recebeu a notícia de que o tumor tinha regressado, já com metástases. Foi a médicos lá e cá, mas a doença atingiu-lhe os ossos, depois o cérebro, e não houve nada a fazer.

A morte de Brigitte aconteceu no outono de 2000. À saída do funeral, a tristeza era tanta que uma das amigas disse que não poderiam deixar que a morte dela passasse em claro, tinham de retirar algo positivo. "Ela era uma mulher extraordinária", conta-nos Lynne Archibald, presidente da associação Laço. Depois do choque, a mesma amiga ligou a outras cinco, todas estrangeiras e a viver em Portugal. "Tínhamos de fazer alguma coisa. E fizemos: um almoço de angariação de fundos para apoiar o rastreio do cancro da mama. Foi no dia 8 de março de 2001", vai contando. O dinheiro que angariaram surpreendeu-as e decidiram criar uma associação - a Laço, com o símbolo internacional do lacinho cor-de-rosa, para apoiar o rastreio mamário. Na altura, "ainda havia pouco em Portugal e acreditávamos que, tal como a comunidade científica, que se os tumores fossem diagnosticados precocemente não metastizavam. Mas foram precisos muitos estudos e passarem mais de dez anos da Laço e muitos estudos internacionais para se perceber que afinal não é assim", justifica. Dezassete anos depois, Lynne Archibald é a única das cinco amigas de Brigitte que ainda vive em Portugal. Está cá há 28 anos e ainda se mantém como a presidente da associação. Karen Bright foi a amiga inglesa de Brigitte que pensou na homenagem que resultou na Laço. "Foi ela que saiu do funeral e nos disse: "Não vamos ficar por aqui, pela parte deprimente, temos de fazer algo positivo", mas ela não quis ficar com a direção e então fiquei eu." A Karen juntaram-se ainda a norte-americana Anna Lee, uma outra inglesa, Julia Holmes, e Greta Eisenhauer. Ao fim de 17 anos, Lynne continua a acreditar que é possível a descoberta de uma resposta para a cura do cancro da mama.

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