Tráfico de droga cresceu na dark net. Existem 50 mercados

Na Europa, o Reino Unido lidera na venda de estupefacientes na internet proibida. Traficantes ganham até 7 mil euros por mês

Já existem 50 mercados ou portais na dark net para encomendar droga, com um modelo misto de uso por retalhistas (compram por atacado para vender a outros) e de venda livre. O número de traficantes oriundos de vários países e dedicados apenas a este negócio online quase triplicou: de 1031 em 2013 para 2744 em janeiro de 2016. O mercado americano é o que movimenta mais dinheiro mas em média são os australianos que ganham mais com a venda de droga na internet. Na Europa são os britânicos. Mas, em geral, qualquer geek da internet que se dedique a vender droga nestas plataformas consegue tirar entre 3000 e 7000 euros por mês.

Um em cada dez consumidores de droga já comprou estupefacientes online. Os dados são do relatório Rand Europe, financiado pelo governo holandês, que quis perceber a dimensão deste crime - ainda pouco fiscalizado - para o seu país e no espaço europeu.

Os mercados como o Alphabay, o dark net Heroes League ou o Nucleus replicam modelos de plataformas legais para venda de produtos vários ou de livros como o Ebay ou a Amazon, com a equivalente montra de produtos online e slogans cativantes. A diferença é que ali não se compram roupas, livros ou móveis mas sim cannabis, cocaína, anfetaminas ou ecstasy. Estas são, aliás, as drogas de uso recreativo preferidas dos consumidores que vão aos criptomercados da dark net.

São mercados encriptados, disponíveis apenas a quem tem software específico para entrar, através do browser Tor. Não há intermediários nem contacto direto com vendedores e criminosos de rua. A entrega é pelo correio. O segredo do sucesso dos criptomercados. O negócio triplicou em número de transações desde 2013, ano em que fechou a principal plataforma de vendas, o Silk Road. Os lucros também duplicaram para os traficantes europeus, norte-americanos e australianos desde que fechou a principal plataforma de vendas, em 2013 (ver fotolegenda).

Utilizadores comentam e pontuam

Os consumidores que recorrem aos mercados de droga na dark net pagam com bitcoins (moeda virtual) e recebem o produto através de encomendas postais. O segredo do sucesso destes traficantes não está nessas ferramentas virtuais mas no bom e tradicional serviço prestado ao consumidor, como relatou um artigo do jornal britânico The Telegraph. Cada visitante do site, depois de fumar a cannabis ou snifar a cocaína que comprou, deixa um comentário online sobre o que achou do produto e uma pontuação de 1 a 5. E quando são enganados também reclamam e criam má fama ao traficante. "Este vendedor é um trapaceiro, eu paguei por haxixe e agora tenho 40 gramas de parafina. Não comprem a este. Pontuação: 1", referiu um consumidor num desses sites.

De 90 a 1000 euros em compras

Segundo o relatório Rand Europe, a compra média, por consumidor habitual, é de 90 euros por mês, mas há gastos que ascendem aos mil euros mensais (e que serão, segundo o relatório, de retalhistas que compram em maior quantidade para depois vender aos seus clientes). Estima-se que existam 133 mil encomendas por mês de droga nos criptomercados.

Na Europa, é o Reino Unido a liderar neste tráfico em expansão, e a nível mundial tem uma quota de mercado de 16,1% com os seus estimados 338 traficantes ativos, 28 mil transações por mês (números de janeiro) e lucros de 2,04 milhões de euros.

Os Estados Unidos são os líderes mundiais, com uma quota de mercado de 35,9%, 890 vendedores de droga ativos e lucros mensais de quase cinco milhões de euros.

Em Portugal, a Polícia Judiciária tem investigações em curso mas ainda não se sabe a dimensão que a dark net tem no país em termos de consumidores e traficantes.

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