Tigre procura-se. Índia perdeu o seu símbolo nacional

Foi organizada uma busca nacional para encontrar o tigre Jai

Pessoas penduram cartazes nas ruas, rezam e fazem cerimónias religiosas em homenagem a Jai. Os jornais todos os dias reportam avistamentos não confirmados em locais diferentes e o governo oferece uma recompensa de 50 mil rupias, (cerca de 670 euros), uma pequena fortuna, a qualquer um que tenha informação sobre o seu paradeiro. A Índia está à procura do tigre Jai.

Para os indianos, esta operação de busca pelo animal que desapareceu há três meses faz todo o sentido. Jai é o tigre mais famoso da Índia desde que, há três anos, se tornou num símbolo nacional, quando fez uma caminhada por aldeias, rios e autoestradas para encontrar uma companheira.

O tigre de sete anos e 250 quilos é louvado por ter ajudado a aumentar a população de tigres da Índia, sendo pai de mais de 20 crias, contribuindo para o aumento do turismo.

Os milhões de fãs de Jai, que tem o nome da personagem da estrela de Bollywood Amitabh Bachchan no famoso filme Sholay, começaram a ficar preocupados com o tigre quando a sua pulseira eletrónica deixou de emitir sinais há três meses, segundo a AFP, e os seus avistamentos se tornaram mais raros.

Rohit Karoo, um dos homens que coordena as operação de busca, contou à AFP que "cerca de 10 organizações não-governamentais, habitantes de cerca de 400 aldeias e agentes dos serviços florestais estão a patrulhar as florestas em Maharashtra para encontrar Jai", que foi visto pela última vez a 18 de abril.

Nas redes sociais estão a ser partilhados vídeos da última vez que Jai foi visto:

As autoridades esperavam encontrá-lo até esta sexta-feira, Dia Internacional do Tigre, mas admitiram que não fazem ideia de onde ele possa estar. Este dia é particularmente importante na Índia, onde vivem 70% da população mundial de tigres.

O ministro do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas, Anil Madhav Dave, recordou esta sexta-feira em comunicado que a população mundial de tigres diminuiu 95% durante o século XX e que o seu tráfico ilegal na Ásia ainda constitui uma das maiores ameaças à preservação do felino.

O Governo indiano quer transformar o tigre numa atração turística do país.

Enquanto uns acreditam que Jai possa estar ferido, conforme rumores, Rohit Karoo acredita que não. Ele afasta essa hipótese dizendo que o tigre é um "macho dominante com capacidade para viajar grandes distâncias".

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...