Tempo máximo de espera no aeroporto de Lisboa caiu para menos de metade

O plano de contingência do Ministério da Administração Interna para acabar com as filas de horas no aeroporto de Lisboa completou três meses com os passageiros sujeitos a um tempo de espera radicalmente mais baixo. A média mensal do tempo máximo de espera caiu dos 111 minutos, em maio, para apenas 47 minutos.

"Hoje voltamos, infelizmente, a assistir a tempos de espera elevados que ultrapassaram as três horas na área das chegadas do aeroporto de Lisboa devido à insuficiência de recursos e de postos de controlo de fronteira SEF em funcionamento", referiu a ANA Aeroportos, em comunicado, a 12 de junho passado.

Segundo assumiu na altura o SEF, não tinha sido "possível ao serviço preencher, temporariamente, as posições adequadas ao elevado fluxo de passageiros".

Ana Vieira, inspetora no aeroporto Humberto Delgado deste serviço de segurança, cujo processo de extinção foi adiado sine die pelo ministro da Administração Interna (MAI), resumiu o cenário: "Muito honestamente, não estávamos preparados para este aumento exponencial de turismo e de passageiros, e a própria infraestrutura, como o senhor ministro da Administração Interna já disse, também não está adequada a esta realidade".

Avançando três meses no tempo, com um plano de contingência em execução coordenado e monitorizado pelo ministro José Luís Carneiro e a situação mudou radicalmente.

Segundo o relatório oficial de avaliação a que o DN teve acesso, em agosto a média do tempo máximo de espera dos passageiros no aeroporto Humberto Delgado era de 47 minutos, o que representa uma descida para menos de metade - 57, 6% face à média dos tempos máximos de processamento registados em maio, antes do arranque do plano, quando essa mesma média estava nos 111 minutos.

Segundo o ministério da Administração Interna o valor de agosto "é o valor mais baixo de todo o plano de contingência", que partiu dos já referidos 111 minutos, desceu em junho para os 93 e em julho para os 56.

Comparativamente a 2021, também se verifica uma redução significativa da média do tempo máximo de espera na fronteira à chegada ao Aeroporto de Lisboa, que era em agosto desse ano de 102 minutos.

Sublinha o MAI que "o plano de contingência nos aeroportos portugueses resultou do diálogo" entre este ministério, o das Infraestruturas e da Habitação, o SEF, a PSP e a Ana - Aeroportos de Portugal, para fazer face ao aumento exponencial do desembarque de passageiros no período do verão.

O objetivo "era o reforço da capacidade de controlo das fronteiras externas da União Europeia, garantindo sempre a segurança do Espaço Schengen e promovendo a desejada fluidez no processamento dos passageiros que entram e saem do País".

De acordo com fonte oficial do gabinete de José Luís Carneiro, as principais medidas que levaram a estes resultados foram o "reforço de meios humanos para o controlo de fronteiras nos aeroportos com a reafetação de 55 inspetores do SEF", a que se juntaram "176 agentes da PSP habilitados com o curso de controlo de fronteiras" (estavam previstos inicialmente 168).

Foi ainda utilizado "em algumas circunstâncias, o controlo móvel com recurso a meios tecnológicos criados pelo SEF (SEFMobile)", quando "tecnicamente se verificava como mais adequado, como por exemplo o período a Cimeira dos Oceanos".

Acresce a estas três medidas a "melhoria da sinalização visual e concretização de uma campanha de sensibilização para a adequada utilização das E-gates, numa ação articulada entre a ANA e o SEF".

Esta última, afirma o MAI, vai "tendo ajustamentos e melhorias progressivas". Dá como exemplos "a colocação de nova sinalética no aeroporto; a colocação de ecrãs informativos ou a existência de equipas de encaminhamento e informação aos passageiros nas chegadas" implementados em parceria pela ANA e SEF.

A monitorização feita registou ainda que as "soluções tecnológicas" previstas no plano de contingência, designadamente as "portas tecnológicas ("E-gates") com sistema Rapid e Rapid4all" registaram uma taxa de utilização de 30 % nas entradas de passageiros do Aeroporto de Lisboa, isto apesar de o mês de agosto ser um mês caracterizado pelas viagens em família e apenas maiores de idade podem utilizar os dispositivos eletrónicos.

Os passageiros oriundos dos EUA e do Canadá, que representam cerca de 25% do total, podem utilizar, na chegada a Portugal, estas E-gates, o que veio permitir um escoamento mais rápido dos passageiros de fora da União Europeia, sujeitos a um controlo de segurança mais apertado.

O caos verificado no início do verão no aeroporto de Lisboa, que acabou por se generalizar um pouco por todos os grandes aeroportos europeus na sequência do levantamento das restrições de viagens do período pandémico, criou uma grande apreensão nos operadores turísticos.

"O aeroporto de Lisboa, representa, simplesmente, uma vergonha nacional. Pior parece-me impossível e, face ao esforço que todas as empresas desenvolveram para resistir durante a pandemia, "apresentar-lhes" este aeroporto é um insulto sem perdão", referiu Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.

O plano de contingência continuará em vigor, tal como previsto, até ao final do mês de setembro. Os dados de afluência e utilização dos aeroportos nacionais são alvo de análise semanal por parte da PSP, ANA e SEF.

Entre 01 de junho e 30 de agosto, o SEF controlou 5 milhões e 451 mil passageiros nas chegadas e nas partidas, sendo 49,5% no Aeroporto Internacional Humberto Delgado, em Lisboa.

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