Temido. Matriz de risco serve de alerta e não impede regresso à normalidade

A ministra da Saúde considera importante a manutenção da matriz de risco como base de trabalho, numa altura em que o Presidente da República já colocou algumas dúvidas a sua utilização.

A ministra da Saúde afirmou esta sexta-feira que a matriz de avaliação de risco da pandemia de covid-19 é um sistema de alerta que não põe em causa o caminho para a reposição da normalidade.

A matriz de risco, que cruza dados de incidência de casos na população e de risco de transmissão, "não significa que o regresso à desejada normalidade não se vá fazendo, utilizando sempre a matriz de risco como alerta", disse Marta Temido no final da reunião periódica de análise da situação epidemiológica do país, que juntou no Infarmed, em Lisboa, especialistas, membros do Governo e o Presidente da República.

O Presidente da República, que propôs há dois dias uma mudança na matriz de risco face à crescente taxa de imunidade da população contra a covid-19, realçou hoje na reunião uma vez mais "a perceção de que os riscos estão a descer" e colocou a questão da "legitimação pública dos indicadores e dos critérios sanitários adotados".

No final da reunião, Marta Temido afirmou que "a matriz de risco é sobretudo um conjunto de sinais de alerta" que é necessário "ter presente para uma eventualidade" se for preciso "regressar atrás" no processo de desconfinamento.

A ministra da Saúde sublinhou que o número de novos casos de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, é influenciado pelo processo de vacinação. "Naturalmente que todos compreendemos que a vida que hoje fazemos reflete já esse processo", disse.

Sobre decisões tomadas na sequência da reunião, Marta Temido remeteu essas respostas para o Conselho de Ministros.

"Hoje ouvimos os peritos e vamos refletir e o Conselho de Ministros a seu tempo pronunciar-se-á relativamente à adesão da população às medidas", disse.

"Temos de ter essa consciência de que estamos perante uma doença que exige comportamentos específicos para evitar a transmissão até estarmos mais protegidos e, portanto, apelar novamente à cautela, o que não significa que não tenhamos uma vida muito diferente hoje. Temos uma mobilidade comparável àquela que tínhamos em agosto passado e somos um dos países da União Europeia com maior mobilidade em espaços de retalho e lazer e isso mostra que a nossa vida é diferente daquela que já tivemos e daquela que ainda não podemos ter neste momento", adiantou.

Também a situação na União Europeia está a melhorar genericamente, não havendo neste momento nenhum país com mais de 500 casos por 100 mil habitantes.

Sobre o alerta do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) para a circulação da variante do SARS-CoV-2 associada à India e para a necessidade de um controlo rigoroso de fronteiras, Marta Temido disse que, "por precaução", o país tem apostado na sequenciação das variantes, bem como no controlo das fronteiras que tem de ser mantido "com responsabilidade e com atenção".

"Portugal é hoje um país que analisa laboratorialmente aquilo que são os casos positivos no sentido de identificar as diferentes mutações do vírus e identificar eventuais ligações entre indivíduos infetados, através da sequenciação genética, e isso é um instrumento essencial para continuar a garantir esta segurança", salientou.

Para a ministra "a questão da transmissão de novas variantes através de mutações do vírus em populações eventualmente menos vacinadas é um dos riscos desta nova fase de combate à pandemia".

Sobre as críticas de presidentes de câmara devido ao recuo no desconfinamento, nomeadamente de Arganil e Lousã, Marta Temido afirmou que "os autarcas perceberam muito bem que a saúde é talvez hoje o tema que mais preocupa as populações".

"Isso ficou patente na forma como investiram no apoio ao Ministério da Saúde em testes, em instalação de estruturas de apoio e retaguarda (...) e no próprio apoio aos rastreios epidemiológicos e aos inquéritos epidemiológicos", salientou.

Naturalmente, defendeu, "temos que continuar num diálogo permanente a expor as nossas dificuldades mútuas".

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