Suspeitos de disparos estão em fuga mas já foram identificados

Judiciária investiga tiroteio, mas a Inspeção-Geral da Administração Interna irá avaliar a atuação dos agentes da PSP

Os cinco feridos - três polícias e duas mulheres que estavam no bairro da Ameixoeira quando se iniciou um tiroteio na terça-feira à noite - encontram-se fora de perigo e dois dos agentes já tiveram alta hospitalar. Os suspeitos de terem disparado sobre os agentes da PSP, já identificados pelas autoridades, estão em fuga e já há duas investigações em curso: uma da Polícia Judiciária e outra da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

Esta última foi anunciada ontem depois de vários moradores do bairro, em declarações aos jornalistas, terem questionado a ação da polícia, adiantando que uma das mulheres feridas foi baleada por elementos da PSP. Estas acusações já tinham sido referidas na noite do incidente por vários moradores, embora a PSP desminta e aponte que os disparos partiram dos elementos que estão em fuga após dispararem sobre os polícias. As mulheres foram apanhadas no tiroteio por acaso.

Perante os testemunhos, a IGAI anunciou ter "instaurado um processo de inquérito para apuramento cabal de todos os factos ocorridos no bairro da Ameixoeira". Contudo, segundo informações recolhidos pelo DN junto de elementos das forças policiais, ambas as mulheres foram atingidas por tiros de caçadeira, disparados por elementos afetos às famílias em confronto, ambas de etnia cigana.

Segundo um elemento da PSP, "há já algum tempo que a desavença entre um tio e um sobrinho" era do conhecimento da força policial.

Ontem, alguns moradores adiantaram ao DN que entre ambos existiria uma espécie de "acordo": um não frequentava o bairro do outro. E terá sido na manhã de terça-feira que um dos dois quebrou o acordo, deslocando-se ao bairro da Ameixoeira e por lá permanecendo. Ao fim da tarde, começaram os tiros de caçadeira. Uma das mulheres terá telefonado à família, que se deslocou ao bairro, entrando em tiroteio direto. Uma das moradoras do bairro, Cidália Caldas, foi ferida na cara: "Fui à janela e apanhei com estilhaços dos tiros no alumínio", disse ontem de manhã aos jornalistas, não querendo responder, porém, se situações como a de terça-feira são frequentes.

Fogo cruzado

Foi na sequência de um alerta que chegou à PSP que um carro com três elementos da investigação criminal, que circulava por perto, se dirigiu para o bairro, tendo sido recebido com tiros. Os agentes ainda procuraram refúgio junto de um caixote do lixo, mas acabaram baleados, tal como outra mulher que se encontrava junto a uma carrinha. "Foi apanhada no fogo cruzado entre as famílias e os polícias", relatou um morador ao DN, que não se quis identificar. Outros três agentes da PSP, entretanto chegados ao local, também foram recebidos com tiros, tendo-se refugiado no interior de um pequeno supermercado, cuja proprietária não quis descrever o sucedido. "Só falo judicialmente", disse a mulher.

Judiciária voltou ao local

Ontem, a PSP apenas adiantou que não existem detidos, tendo a Polícia Judiciária voltado ao bairro e recolhido vestígios no local onde ocorreu a troca de tiros, na Rua António Vilar. Após o tiroteio, foi recolhida uma caçadeira nas traseiras de um prédio, embora não tenham informação de que seja uma arma envolvida nos confrontos. Algo que só um exame balístico poderá confirmar. Dois dos agentes da PSP baleados já tiveram alta hospitalar. O terceiro, atingido na carótida, mantém-se internado. As duas civis que foram atingidas, uma no abdómen e outra na zona da cabeça/pescoço, também foram alvo de intervenções cirúrgicas, encontrando-se ambas estáveis.

Este é um dos casos mais graves a envolver forças policiais neste ano, mas as agressões a elementos das forças de segurança são registadas todos os anos. Só no ano passado 611 agentes da PSP ou militares da GNR foram feridos em serviço e cerca de metade deles (325) tiveram mesmo de receber tratamentos).

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