Governo admite racionamento de água durante a noite

Secretário de Estado do Ambiente admite medida para reduzir perdas de água, pelo menos no período noturno

Carlos Martins, o secretário de Estado do Ambiente, admite que o Governo pode vir a racionar o uso de água durante a noite, devido ao período de seca que o país atravessa.

Em entrevista ao jornal i, Carlos Martins refere que o racionamento de água tem sido testado em alguns países e que, em algumas situações, a medida não resulta da melhor forma. Aconteceu em São Paulo, no Brasil, recorda: "as pessoas tendem a colocar a água nas banheiras, nos baldes, nos lavatórios e muitas vezes no dia a seguir, como a água não falta, acabam por voltar a libertar-se dela, às vezes até quase sem uso nenhum, e até introduzem perdas maiores".

No entanto, o governante admite que "em algumas situações concretas isso possa acontecer em períodos noturnos", porque traria a vantagem de reduzir perdas de água importantes pelo menos durante a noite.

Carlos Martins assinala ainda que a medida com maior impacto "e com efeitos imediatos" seria "os municípios e as entidades gestoras dos serviços de água reduzirem as pressões de água. Quando se reduz a pressão, por cada minuto que temos a torneira aberta, acaba por haver um menor débito e portanto estamos a fazer uma poupança induzida por essa perda de pressão".

O secretário de Estado diz também que o mais importante é que os consumidores tenham "comportamentos de melhor consumo e uso de água", nomeadamente tomando banhos mais rápidos, eventualmente mais espaçados no tempo, "fazerem uma utilização mais disciplinada dos sanitários, não fazerem lavagem dos dentes, das mãos ou da loiça com água a correr, fazerem regas do jardim com água já usada e durante a noite".

Na mesma entrevista, Carlos Martins aponta o concelho de Viseu como o mais problemático no que à seca diz respeito, com as maiores dificuldades para o consumo de água, e aponta que "cada um de nós, independentemente do local onde está, quando poupa água aumenta algures no território nacional a nossa disponibilidade hídrica".

Esta é a seca mais grave desde que há registos meteorológicos sistemáticos em Portugal, ou seja, desde 1931. Mas, ao contrário do que aconteceu em todas as secas anteriores, que acabaram por desaparecer com as chuvas de outono, esta tem uma particularidade única: o outono entrou seco e assim se tem mantido

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