Seca agravou-se entre julho e agosto. Todas as bacias hidrográficas perderam volume de armazenamento

Julho foi o mais quente desde 1932 e agravou a seca que já se verificava. Situação piorou em agosto e próximos meses podem não ser fáceis.

A seca em Portugal não é novidade. Mas, depois do julho mais quente desde 1932, a situação agravou-se. Aliadas à falta de chuva, as temperaturas que se verificaram ao longo de todo o verão fizeram com que todas as bacias hidrográficas do país perdessem volume de água armazenado.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), a situação mais grave, em agosto, verificava-se no Algarve, na bacia hidrográfica do Barlavento, que ficou com menos de 10 por cento de volume armazenado.

Por outro lado, a bacia do Tejo, a maior nacional a nível de superfície ocupada, passou a estar com um armazenamento abaixo de 50% pela primeira vez desde outubro do ano passado, mês em que os dados mais antigos do SNIRH estão disponíveis e analisados no relatório da gestão de Monitorização Agrometeorológica e Hidrológica, feito pelo Grupo de Trabalho.

Nos últimos dados disponibilizados por esta entidade, a bacia do Douro - que, tal como a do Tejo, é partilhada com Espanha - está também no nível mais baixo desde outubro do ano passado (51% de volume de armazenamento).

No final de julho, das 59 albufeiras monitorizadas pelo SNIRH, apenas seis apresentavam um volume hídrico superior a 80%, com 26 a estarem abaixo dos 40%, entre as quais a Barragem de Campilhas (3,6%, localizada na bacia do Sado), da Paradela (9,5, na bacia do Cávado) e da Bravura (11,4, na bacia do Barlavento), sendo as três barragens em pior situação a nível nacional, segundo dados do relatório da gestão de Monitorização Agrometeorológica e Hidrológica, feito pelo Grupo de Trabalho.

Um mês depois, em agosto, "os armazenamentos por bacia hidrográfica" apresentavam-se inferiores às médias de armazenamento no espaço de 30 anos, de 1990/91 a 2020/21.

A única onde não se verificava esta situação era na bacia do Arade. No entanto, e tendo em consideração que os dados disponíveis remontam a agosto, a situação já pode ter mudado no espaço de um mês.

Certo é que, entretanto, várias associações do setor agrícola já referiram que a chuva que caiu desde o fim de agosto não foi suficiente e há culturas - como os olivais de regadio - que vão continuar a ter quebras de produção.

Alguns dados sobre o clima e a seca em julho e agosto

33,16ºC: Mês de julho foi o mais quente desde 1932, com a média de temperatura a ser de 33,16 ºC.

100%: ​​​​​​​De acordo com os dados mais recentes, a totalidade do território nacional encontrava-se, em agosto, em seca severa ou extrema.

32: ​​​​​​​Das 60 albufeiras monitorizadas em agosto, 32 tinham uma capacidade a 40%. Apenas três estavam acima de 80%.

rui.godinho@dn.pt

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