Ryanair pode ser multada em Portugal se não cumprir regras

ANAC está a seguir caso dos cancelamentos de voos por parte da companhia irlandesa. Pilotos reuniram-se com administração e recusam bónus por trabalhar nas folgas. Querem novos contratos

As decisões da Ryanair relacionadas com o cancelamento de voos até ao final de outubro e o pagamento ou recolocação dos passageiros afetados estão a ser acompanhadas pelo governo português, sabe o DN. No entanto, qualquer decisão sobre eventuais sanções à empresa irlandesa de aviação low-cost será tomada pela Autoridade Nacional de Aviação Civil. O regulador do setor, em comunicado, já lembrou ter poderes sancionatórios se encontrar no acompanhamento que está a fazer à situação casos em que os clientes da Ryanair sejam prejudicados.

O que a empresa - que cancelou cerca de dois mil voos durante seis semanas devido, segundo o anúncio oficial, ao facto de haver muitos pilotos de férias causado por um mau planeamento - garante não acontecer. Ontem, em Dublin, o presidente da companhia de aviação, Michael O"Leary, salientou que todos os passageiros afetados tinham sido contactados e que esta situação custou cerca de 25 milhões de euros.

Prejuízo que pode ser maior devido às eventuais multas. Além da ANAC em Portugal, o governo espanhol anunciou, por intermédio do ministro do Fomento (equivalente ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas), Íñigo de la Serna, que a transportadora pode ser multada por ter suspendido 514 voos com origem ou destino no país. E avançou com uma verba de 4,5 milhões de euros, explicando que a decisão cabe à agência de segurança aérea.

Questionada pelo DN, fonte oficial da Ryanair salientou que não existem mais anulações de voos: "Já fizemos todos os cancelamentos previstos. Não haverá mais devido ao erro de planeamento."

Pilotos querem contratos

Um grupo de pilotos encontrou-se ontem com a administração da empresa e, segundo as informações recolhidas pelo DN, ouviu a repetição das propostas que foram apresentadas num memorando enviado pela empresa aos funcionários no dia 18: um bónus de 12 mil euros para os comandantes e de 6 mil para os copilotos que abdicassem das folgas para voar neste período em que se concentrou um grande número de pilotos de férias. Porém, estes apenas garantem que querem novos contratos de trabalho e trabalhar segundo as regras.

Um piloto com quem o DN falou, sob anonimato, deu como exemplo desta falta de condições o facto de passar 12 horas no avião e, se quiser beber água, ter de comprar uma garrafa pois a empresa não dá.

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