Rogério Campos Henriques: "Os portugueses não querem ir para um lar"

Soluções tecnológicas para o envelhecimento ativo e literacia para a poupança e a reforma são apostas da Fidelidade, diz o CEO.

Manter as pessoas em casa, mesmo em idades avançadas, poupa dinheiro às famílias e ao Estado. No entanto, é fundamental que tenham o acompanhamento adequado, mantendo a sua qualidade cognitiva de forma simples e a um custo controlado.

O que está o grupo Fidelidade a fazer nesta estratégia de soluções de smart cities, mais especificamente no campo da saúde e do bem-estar?
Quando se fala em smart cities, fala-se muito de envelhecimento ativo e o que temos são soluções orientadas para a saúde e o bem-estar, mas também soluções cada vez mais tecnológicas. Por exemplo, desenvolvemos seguros de saúde especialmente vocacionados para seniores porque, tipicamente, as seguradoras fugiam um pouco dos seniores. Na tecnologia, já há alguns anos que fazemos telemedicina, que tem algum sucesso, e durante a pandemia foi muito relevante. Temos mais de 50% daquelas situações em que as pessoas iriam a uma urgência hospitalar, que tratamos com a medicina online e as pessoas já não precisam de ir. Os médicos estão disponíveis 24 horas por dia e as pessoas podem estar em qualquer lado do mundo. No ano passado lançámos o programa Vitality, muito orientado a promover a saúde e os hábitos saudáveis dos nossos clientes.

A pandemia veio acelerar todos estes processos na Fidelidade ou é uma estratégia que já vem de trás?
Isto já estava tudo em marcha antes da pandemia. O que há, evidentemente, é uma adoção por parte dos clientes e da sociedade em geral que, hoje em dia, está mais apta para utilizar este tipo de soluções. Enquanto sociedade, temos um problema em Portugal que é não termos infraestrutura para dar serviço aos seniores que já não são autónomos. Todos sabemos que não há lares suficientes, ou não são de qualidade ou nem são licenciados. É um problema muito sério. O que achamos, e confirma-se pelos estudos de mercado que fizemos, é que os portugueses não acham agradável ter de ir para um lar. Mas se encontrarmos soluções para que as pessoas possam estar em casa com o acompanhamento devido, mantendo a sua qualidade cognitiva de forma simples e a um custo controlado, acho que estamos a representar um papel importante a favor da sociedade e de todos nós.

Cada vez a longevidade é maior e isto é um desafio para as seguradoras. Como é que a Fidelidade prepara este desafio de acompanhar os seus clientes com uma longevidade muito maior?
As seguradoras sempre tiveram um papel no famoso PPR e, neste aspeto, somos líderes em Portugal. A taxa de substituição das reformas, daqui a alguns anos, será de 40% no máximo e as pessoas têm de saber isso porque têm de começar a poupar com tempo. As seguradoras, o Estado e todos os players do setor financeiro têm um papel enorme a explicar e garantir que as pessoas percebem a gravidade da situação para garantir que começam a poupar. Já estamos a trabalhar afincadamente nesse tema, quer com produtos novos, quer com soluções mais digitais que promovem até a poupança dos mais jovens. Temos até uma solução chamada My Savings que, de uma forma muito simples, permite ao cliente começar a poupar com uma app e todos os meses poupa ou pode fazer um investimento.

Será o segredo para equilibrar as finanças face à longevidade?
Com toda a franqueza, não há milagres. Acho que existem duas coisas diferentes: as pessoas têm de começar a poupar mais e mais cedo, e há um tema muito maltratado em Portugal, que é a literacia financeira.

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