Quercus alerta: Ourém tem mais um eucaliptal ilegal

Plantação não autorizada de eucaliptos inviabiliza no futuro a certificação da gestão florestal, segundo a organização

A Quercus afirmou hoje ter detetado mais uma situação de eucaliptal ilegal, instalado com destruição de pinheiro-bravo autóctone na zona de Casal do Touro, freguesia de Seiça, concelho de Ourém (distrito de Santarém).

Em comunicado, o Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus afirma que a GNR de Ourém levantou um auto de notícia por crime de incêndio florestal no dia 07 de junho, que, segundo a Quercus, se deveu ao fogo colocado para eliminar os ramos sobrantes do corte raso dos pinheiros feito pelo madeireiro no terreno em causa e que alastrou a um pinhal vizinho.

"A área em causa tem cerca de quatro hectares, encontra-se junto da estrada municipal entre Seiça e o Mosqueiro e está integrada na Zona de Intervenção Florestal - ZIF de Seiça-Ourém, mas a entidade gestora desconhece quem é proprietário", afirma o comunicado.

A Quercus adianta que depois desse incêndio foi feita uma "conversão do pinhal com a mobilização destrutiva da terra, com recurso a uma escavadora giratória com balde", tendo sido plantados eucaliptos "sem autorização do ICNF" [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas].

"Este procedimento, para além de ser ilegal, é também uma má prática que afeta negativamente a imagem da fileira do eucalipto, aumenta o risco na madeira controlada e inviabiliza no futuro a certificação da gestão florestal", afirma a nota.

A Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza considera que a "recorrência deste fenómeno é impressionante, existindo diversos casos de eucaliptais ilegais que chegam a atingir os 80% das rearborizações, revelando a ineficácia do regime de arborização, a falta de regulamentação dos trabalhos dos empreiteiros, associado à escassez de meios para fiscalização".

A associação afirma que o decreto que aprova o Plano Regional de Ordenamento Florestal do Ribatejo (PROF Ribatejo) refere que, inicialmente, 34% da área florestal era eucaliptal e define, nas suas metas para 2025, a redução para os 31%.

"Embora tenham sido suspensas as metas, sem terem, entretanto, sido alterados os PROF, os eucaliptais continuam a expandir-se, com e sem autorização, contrariando o plano de ordenamento efetuado para o efeito", declara.

A Quercus diz esperar que o novo Conselho Diretivo do ICNF e o Governo "alterem as regras para que a floresta não seja gerida desta forma destrutiva, com o aumento das monoculturas que comprometem o ordenamento do território e a resiliência da paisagem do mundo rural".

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