"Quebra de confiança". Task force explica inquérito às falhas no Queimódromo

Equipa liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo rebate versão do laboratório Unilabs, diz que inquérito em curso tem três focos e adianta que os utentes que estavam alocados ao centro de vacinação do Queimódromo serão reencaminhados para o centro de vacinação do Regimento de Transmissões enquanto o inquérito decorrer

"Quebra de confiança". Foi assim que o vice-almirante Gouveia e Melo se referiu esta quarta-feira ao incidente que levou à suspensão da vacinação no Queimódromo do Porto. Em declarações reproduzidas pelo Porto Canal, o coordenador da task force de vacinação diz que enquanto não for esclarecido o motivo do atraso na comunicação da falha da cadeia de frio daquele centro de vacinação, no âmbito do inquérito a decorrer, este não será reaberto.

A task force de vacinação emitiu também um comunicado onde rebate as alegações do laboratório Unilabs e esclarece os pontos que quer ver esclarecidos no inquérito aberto às falhas na vacinação no Queimódromo do Porto.

A equipa coordenada por Gouveia e Melo, em reação a "algumas notícias relativas à suspensão da vacinação", detalha que o inquérito em curso tem três focos:
"- o motivo que levou à quebra na cadeia de frio;
- Os procedimentos efetuados por este centro, uma vez que a quebra na cadeia de frio não foi detetada, originando a inoculação de vacinas que estiveram armazenadas fora dos parâmetros normais de temperatura estabelecidos;
- O atraso na notificação da ocorrência, uma vez que a task force só teve conhecimento do sucedido no final da tarde de 11 de agosto, através da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte."

Este esclarecimento vem na sequência da posição da Unilabs, responsável pelo centro de vacinação em causa, que ao jornal Público, defende-se do acontecido e diz que a falha na cadeia de frio foi "detetada na terça-feira [10 de agosto] ao início da tarde" e "reportada nessa altura" às autoridades. "Foi uma falha de comunicação no sistema de verificação de temperaturas e no procedimento respetivo que não permitiu detetar a falha que tinha ocorrido no sistema de frio. Comunicámos essa informação quer à ARS quer à task force no maior detalhe", assegurou a empresa ao Público.

Ora, essa versão é rebatida no esclarecimento da task force emitido esta quarta-feira. Aí, a equipa liderada pelo Gouveia e Melo sublinha que os factos ocorridos "referem-se a uma quebra na cadeia de frio e à inoculação ocorrida a 9 de agosto (durante todo o dia) e 10 de agosto (no período da manhã) de vacinas que estiveram armazenadas fora dos parâmetros normais de temperatura estabelecidos."

E a task force salienta que só "no final da tarde do dia 11 de agosto, através de uma comunicação da ARS Norte, chegou ao conhecimento da task force um problema na cadeia de frio e nos procedimentos do centro de vacinação do Queimódromo, tendo-se decidido suspender a operação deste Centro de Vacinação e aberto, de imediato, um inquérito."

"A ocorrência foi de imediato encaminhada para a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), Polícia Judiciária (PJ) e Administração Regional de Saúde (ARS) Norte, tendo sido aberto um inquérito que se encontra em curso", acrescenta.

No comunicado enviado às redações, a task force adianta também que as pessoas que estavam alocadas ao centro de vacinação do Queimódromo serão reencaminhados para o centro de vacinação do Regimento de Transmissões, que forneceu, de resto, as vacinas utilizadas no Queimódromo no dia 11, antes da suspensão do centro.

Quanto aos utentes vacinados nos dias 9 e 10 no Queimódromo, "o INFARMED solicitou aos fabricantes os lotes de vacina em causa, de forma a apurar a eficácia das vacinas, encontrando-se a analisar os resultados", para decidir se a eficácia da inoculação foi afetada e se é necessária a revacinação dessas pessoas.

No presente momento a task force "encontra-se a aguardar pelas conclusões do inquérito, que se encontra em curso, de forma a tomar uma decisão referente ao centro de vacinação do Queimódromo", que continuará suspenso até lá.

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