Quarteirão da Suíça em obras, mas sem hotel à vista

Sociedade Hoteleira Seoane tem projeto aprovado, mas inquilinos contestam em tribunal. Câmara obrigou a obras de conservação

É um dos prédios centrais do Rossio. Quem passa por lá talvez só veja a esplanada da pastelaria Suíça ou as montras da Casa da Sorte, da Pérola do Rossio ou da Ourivesaria Portugal, mas se levantar o olhar para o céu ou se estiver um pouco mais afastado será difícil ignorar as ervas daninhas que crescem no telhado. O edifício conhecido com quarteirão da Suíça está semi-abandonado (os pisos superiores estão vazios, com lojas a ocupar o rés-do-chão e um escritório no 2.º andar) e à espera de uma nova vida há mais de uma década. Os proprietários querem construir um hotel, que alguns inquilinos tentam travar em tribunal. No meio deste impasse, o imóvel foi-se degradando. Agora, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) intimou os donos - a Sociedade Hoteleira Seoane - para que fizessem obras de recuperação e elas vão mesmo arrancar.

"Levantaram a licença para fazer as obras de recuperação do telhado e das fachadas há duas semanas", anunciou, esta semana, o vereador do urbanismo, Manuel Salgado, em entrevista ao DN/TSF. No local ainda não há sinal de que algo esteja para mudar e não foi possível saber junto dos proprietários quando arrancam os trabalhos de recuperação do telhado.

Quem trabalha nas lojas que aqui se encontram fala apenas de uma questão estética e de alguma água que se infiltra quando chove com mais intensidade. É o caso da Casa da Sorte onde, às vezes, é preciso recorrer a baldes para apanhar as gotas que caem do teto.

Mas os comerciantes têm pouca vontade de falar sobre o proprietário e a necessidade de obras. Nem nunca referem ter processos em tribunal contra a construção do hotel. Na Ourivesaria Portugal o único reparo é para "a dificuldade de não haver interlocutor". "Pagamos a renda e nada mais", dizem quase todos, quando questionados sobre a relação com os proprietários.

O DN tentou obter informações junto do grupo hoteleiro e da imobiliária dos proprietários, mas a indicação que dada foi a de que estariam de férias. Publicamente pouco se tem dito sobre o caso. Uma das poucas referências é de 2008, quando, ao Correio da Manhã, José Seoane, um dos proprietários, assumiu que "ultrapassadas as barreiras burocráticas", ali nasceria um hotel.

Entretanto, o espaço tem vindo a degradar-se e a câmara a insistir com os proprietários para que façam obras, uma vez que se trata da zona histórica da cidade. "Os proprietários dizem que não podem fazer obras porque estão impedidos pelo tribunal e a câmara insiste que isso não os impede do dever de conservação do imóvel", explica Isabel Maciel, da Unidade de Intervenção Territorial Centro Histórico. A responsável garante que o estado do prédio "não põe em risco a segurança nem de pessoas nem de bens", mas "não deixa de ser necessário fazer a sua reabilitação".

A posição dos proprietários junto da CML tem sido a de que vão fazer obras quando for para avançar com o hotel, no entanto, perante uma intimação acabaram por ceder. Em cima da mesa, esteva a hipótese - "que ainda não está totalmente afastada" - de a câmara tomar posse administrativa para a realização coerciva das obras. O que obrigaria os proprietários a ressarcir o município de todos os gastos, aponta Isabel Maciel.

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