Profissionais da Guarda denunciam falta de meios

Associação dos Profissionais da Guarda diz ainda que alguns militares meteram baixa psicológica

A Associação dos Profissionais da Guarda defende que a falta de militares a fazer patrulhas e as falhas no SIRESP impediram o corte do trânsito na Estrada Nacional 236, onde morreram 47 pessoas no incêndio de Pedrógão Grande. O presidente da Associação diz ainda que após a tragédia, que vitimou 64 pessoas, alguns militares meteram baixa psicológica.

César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, afirmou à TSF que, após ter recolhido os dados, confirmou que em cada um dos três concelhos afetados pelo incêndio mortal - Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos - havia apenas dois homens num carro patrulha. Defendeu, por isso, que houve "falta de meios", o que aliado às falhas no SIRESP, contribuiu para a tragédia.

"Quem não cortou a estrada não o fez porque não tinha informação", sublinhou, e "eram apenas dois homens", disse.

O responsável afirmou que o posto de Pedrógão Grande só tem 15 pessoas e que deveria ter o dobro. Realçou ainda que de serviço naquele dia, 17 de junho, só estavam dois de patrulha e um no posto devido a folgas e férias. Para César Nogueira este problema poderia ser resolvido se metade dos 23 mil guardas não estivessem em gabinetes a exercer funções burocráticas e administrativas.

O presidente da associação revelou ainda que muitos militares meteram baixa psicológica depois do incêndio. Comentou que estão "profundamente afetados" e que, ainda por cima, "estão a tentar colocá-los num imbróglio como se fossem culpados de tudo e mais alguma coisa".

O Comando Geral da GNR considerou, num documento enviado ao primeiro-ministro António Costa divulgado dia 21, que a Estrada EN-236-1 foi atingida de forma "inesperada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos", vítimas e Guarda.

O primeiro-ministro ordenou à ministra da Administração Interna que providencie junto da Secretaria-Geral do seu ministério um "cabal esclarecimento" sobre as falhas ocorridas na rede SIRESP, entre sábado e terça-feira.

O Ministério Público também está a investigar as causas do incêndio.

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