Portugueses saem de Cracóvia "com garra e sem medo de arriscar"

No fim da Jornada Mundial da Juventude, perante 2 milhões de fiéis, Papa faz um apelo: "sonhem". E dá receitas para um bom casamento

"Vimos com garra e com esperança no futuro, sem medo de arriscar. A graça de Deus move montanhas". Beatriz Miguel, de 19 anos, vem "mais forte e com menos receio de falhar" da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que ontem terminou em Cracóvia, Polónia. A caminho do aeroporto para Lisboa - depois de uma noite ao relento no Campos da Misericórdia, onde milhares de jovens de todo o mundo acamparam durante vários dias - a jovem conta que a mensagem que fica destes dias e da passagem do Papa nas celebrações é simples: "Não tenham medo, sonhem. Deus está sempre convosco. E rezem, rezem muito".

Beatriz faz parte de um grupo de 40 jovens da paróquia da Nossa Senhora do Amparo (Benfica) que partiram até à Polónia para participar nas JMJ, onde estiveram sete mil portugueses. "Vimos mais unidos, passámos a conhecer-nos melhor, o que é muito bom para fazermos o nosso caminho de fé", disse. Para Beatriz, os momentos mais marcantes da jornada foram aqueles em que os jovens puderam ouvir o Papa, a cerimónia de abertura e a missa de ontem. "É excelente" a forma como Francisco se dirige aos jovens, diz. "É uma maneira de a Igreja não se descolar da realidade", o que é um sinal de que "compreende o que eles fazem."

Na sua homília de ontem o Papa usou diversas referências tecnológicas para fazer recomendações aos jovens. "Façam da oração o primeiro chat do dia", disse. E do "evangelho" o navegador das vossas vidas, rejeitando a tristeza, "um vírus que infeta e bloqueia tudo, que fecha todas as portas, que impede de reiniciar a vida, de recomeçar".

Perante mais de 2,5 milhões de pessoas, segundo dados da organização, Francisco pediu que renunciassem ao consumismo. "Tu és importante! E Deus conta contigo por aquilo que és, não pelo que tens: a seus olhos, não vale mesmo nada a roupa que vestes ou o telemóvel que usas; não Lhe importa se andas na moda ou não, importas-Lhe tu. A seus olhos, tu vales; e o teu valor é inestimável". No Campos da Misericórdia, onde os jovens acamparam, pediu-lhes ainda que acreditem num "novo mundo sem ódios ou com fronteiras como barreiras". Após a missa, o pontífice argentino anunciou que a próxima edição das Jornadas Mundiais da Juventude será em 2019, no Panamá, o país, segundo a agência Ecclesia, com maior percentagem de católicos na América Central: os cerca de 2,6 milhões de batizados representam 80% da população. E na varanda do arcebispado de Cracóvia, o Papa ofereceu conselhos para um casamento feliz. Propôs quatro palavras: " Por favor, desculpa e obrigado". "Nunca adormecer sem fazer as pazes", sugeriu. A JMJ acabou, mas deve continuar na casa de cada, disse.

"É muito forte. Faz-nos crescer"

É a segunda vez que Nuno Fernandes, padre na paróquia da Nossa Senhora do Amparo, participa numa Jornada, depois de ter estado em Roma, há 16 anos. No entanto, esta foi a primeira vez enquanto sacerdote. "É tudo muito forte e faz-nos crescer. Mesmo já sendo padre, vou continuar a crescer", confessa.

Para Nuno Fernandes, a mensagem do Papa Francisco ao longo da JMJ "foi de esperança e de confiança". Num dos discursos, prossegue, o pontífice apelou a que os jovens fossem "semeadores de esperança". "No mundo em que os jovens saem da faculdade com pouca esperança em relação ao futuro, o Papa trouxe uma mensagem para que não desistam", argumenta o sacerdote da paróquia de Lisboa. No ano da misericórdia, Francisco apelou a que "cada jovem possa praticar a misericórdia, levando a presença de Jesus Cristo e de Deus aos outros".

Na véspera, no mesmo local, o Papa tinha convidado os jovens a saírem do sofá e a lutarem pelo futuro. "Disse-lhes para irem para a rua, comunicarem, conviverem e passarem uma mensagem de esperança", recordou Nuno Fernandes. Francisco não rejeita as redes sociais - e até as usa, "mas quer que os jovens não fiquem acomodados e vão ao encontro do outro".

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