Portugueses apostam 1,5 mil milhões em seis meses

Raspadinha, Placard e Euromilhões são os preferidos, com os dois primeiros a serem os únicos a aumentar vendas

Os portugueses apostam cada vez mais na Raspadinha e no Placard, a ponto de serem os únicos jogos que estão a subir em vendas na oferta da Santa Casa da Misericórdia, quando se compara o primeiro semestre dos últimos cinco anos.

Estes dois jogos - o Placard consiste na aposta em resultados de modalidades desportivas e cumpre hoje o segundo aniversário, data que vai assinalar com a introdução de apostas no futebol no americano - estão a minimizar o impacte desta quebra, a ponto de as vendas brutas dos nove jogos sociais disponíveis terem atingido cerca de 1,5 mil milhões de euros, valor superior aos 1359,6 milhões dos primeiros seis meses do ano passado.

Os dados da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) referentes aos primeiros seis meses de cada ano, desde 2013, mostram uma quebra generalizada nas vendas dos chamados jogos sociais (ver infografia). Lotarias (Clássica e Popular), Totobola, Totoloto, Joker (entretanto suspenso) e o Euromilhões (Portugal é o quarto país que mais aposta entre os nove que têm o jogo) têm registado uma diminuição de receitas. Por exemplo, no Euromilhões - em Portugal, desde outubro de 2006 já saíram 66 primeiros prémios -, em junho de 2013, o Departamento de Jogos registou uma venda bruta de 478,2 milhões de euros e no período homólogo deste ano a verba apurada foi de 365 milhões.

Mesmo assim, é o segundo em que os portugueses mais apostam. A principal escolha é a Raspadinha, que tem tido uma curva ascendente acentuada: os 723,1 milhões de venda até junho comparam com os 287,5 milhões do período homólogo de 2013.

Esta preferência é destacada pelo vice-provedor da SCML, Edmundo Martinho, nas respostas enviadas por e-mail ao DN. Frisando que os resultados dos jogos sociais têm vindo a crescer, destacou o facto de os resultados do Placard espelharem "o sucesso que este jogo tem tido junto dos apostadores portugueses, inclusive num segmento de novos apostadores". Quanto ao sucesso da Raspadinha, diz acreditar "que as características do jogo, revelando logo o prémio", é um fator que explica a preferência. Também nos prémios pagos, a Raspadinha e o Placard são os que comandam: pagaram até junho 455,7 milhões e 187,9 milhões de euros, respetivamente.

Do lado oposto estão o Joker e o Totobola: o primeiro foi suspenso no final de julho e o segundo sofreu alterações - opções que surgiram na sequência de estudos efetuados pela SCML. "A decisão de suspensão do Joker resultou de conclusões de estudos e cujos resultados pressupõem a necessidade da redefinição estratégica do atual portefólio, nomeadamente o lançamento de novos jogos mais apelativos e adaptados às exigências do mercado", salientou.

No caso do Totobola, Edmundo Martinho adiantou que as mudanças estão a ter efeitos positivos: "Três semanas após o lançamento do novo Totobola [6 de agosto] já foram premiados 39 totalistas com acertos nos 13 jogos e 21 vencedores do Super 14, consequência direta das alterações introduzidas ao modelo de exploração deste jogo. Apesar de os dados financeiros não estarem ainda consolidados, denotamos já um significativo aumento nas vendas face ao período homólogo do ano anterior."

Apostas hípicas e perfil do jogador

Quanto ao futuro a Santa Casa diz estar a estudar o lançamento de "novos jogos mais apelativos e adaptados às exigências do mercado". E uma dessas futuras apostas poderão ser as apostas no hipismo. Segundo o vice-provedor, está a ser analisado "o melhor modelo de exploração das apostas hípicas mútuas a nível territorial. Ainda que não seja possível avançar já com uma data de arranque para estas apostas, a Santa Casa reafirma a intenção de disponibilizar esta oferta no decorrer do próximo ano".

Mais conhecido é o perfil das pessoas que apostam nos jogos sociais. Referindo que são dados confidenciais, o vice-provedor revela que genericamente "é composto por mais homens do que mulheres, com maior proporção do segmento etário de 35-55 anos de idade, acompanhando ainda a distribuição geográfica da população portuguesa. No caso específico do Placard, estes estudos revelaram que os apostadores - e muito pela natureza enquanto jogo de apostas desportivas - são maioritariamente do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 25 e os 55 anos e um forte interesse por desporto, desafios e emoções associadas aos eventos desportivos.

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