Português cria manga de drenagem linfática para doentes com cancro de mama

Jovem investigador Carlos Gonçalves desenvolveu a manga com tecnologia incorporada que mimetiza as massagens de drenagem linfática feitas por fisioterapeutas

O desafio era olhar em detalhe para uma empresa ou uma indústria no país e idealizar um contributo para melhorá-la, ou a alguns dos seus produtos. Formado em engenharia biomédica, Carlos Gonçalves decidiu aplicar o seu próprio conhecimento à indústria têxtil e criou um produto novo: uma manga com tecnologia incorporada que faz sozinha as massagens de drenagem linfática para tratamento do braço inchado (o chamado linfedema dos membros superiores), uma situação que afeta uma grande número de mulheres que sofrem, ou sofreram, de cancro de mama. E é tão inovadora, que já ganhou um prémio.

Utilizando uma bateria simples como a de um telemóvel, a manga mimetiza, graças à tecnologia que tem incorporada, as massagens de drenagem linfática que são feitas por fisioterapeutas para tratar a acumulação de linfa no braço.

A manga foi desenvolvida por Carlos Gonçalves no âmbito do seu doutoramento MIT Portugal, em Líderes para as Indústrias Tecnológicas, na Universidade do Minho econquistou o primeiro prémio do programa Startup Nano, que tem por objetivo apoiar projetos de startups na área da nanotecnologia e que foi promovido pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), pelo Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI), com a parceria da Startup Braga.

"Delineei todo o projeto desde o início e desenvolvi-o ao longo de três anos", conta ao DN Carlos Gonçalves, sublinhando que o prémio, de cinco mil euros, "vai agora ajudar à criação da startup com a qual pretendemos levar este produto para o mercado". Isso, no entanto, ainda levará pelo menos um ano. "A manga está em processo de patente e ainda não é um dispositivo médico", explica o jovem investigador. "Temos ainda de certificar o produto como tal e fazer testes num número estatisticamente significativo de pacientes, o que vai implicar pelo menos um investimento de meio milhão de euros", adianta Carlos Gonçalves.

O prémio agora conquistado não chega, claro, mas é "sem dúvida, muito importante, porque veio validar a ideia e mostrar que o projeto tem pernas para andar", conclui Carlos Gonçalves.

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