Incidência acima de mil no quarto dia com recorde de infeções: 30 829

Há mais 18 mortes no boletim desta sexta-feira. Há também 1024 infetados internados em hospitais (menos dez do que na véspera), dos quais 145 (mais um) em unidades de cuidados intensivos.

Portugal registou um novo recorde de casos diários de covid-19, 30 829, e 18 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira.

É o quarto dia com recorde de novos casos, pela primeira vez acima dos 30 mil, depois de no boletim da véspera terem sido registados 28 659 casos.

A incidência a nível nacional é agora de 1182,7 casos de infeção por SARS-CoV-2 por cem mil habitantes (antes estava nos 923,4 casos), sendo que a incidência no continente é de 1188,4. O índice de transmissibilidade R(t) também está a subir, sendo de 1,35 a nível nacional (era 1,29) e de 1,36 no continente (era 1,30).

Há agora 1024 infetados internados em hospitais (menos dez do que na véspera, quando a barreira dos mil tinha sido ultrapassada), dos quais 145 (mais um) em unidades de cuidados intensivos.

Desde o início da pandemia já foram confirmados 1 389 646 de covid-19, com 1 191 979 doentes já recuperados (mais 10 523 do que na véspera) e 18 955 mortes (mais 18 no boletim de hoje). Há atualmente 178 712 casos ativos (mais 20 288 do que na quinta-feira) e 169 559 contactos em vigilância (mais 9594).

Dos 30 829 novos casos, quase metade (14 903) foram registados na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 9435 a serem contabilizados na região Norte, 3340 no Centro, 978 no Algarve e 911 no Alentejo. Nas ilhas, há mais 914 casos na Madeira e 348 nos Açores.

Em relação às mortes, sete foram na região de Lisboa e Vale do Tejo, três no Norte, três no Centro, duas no Algarve, duas na Madeira e uma no Alentejo. Das 18 mortes, dez foram de doentes com mais de 80 anos, seis de doentes com idades entre os 70 e os 79 anos. Houve ainda uma morte na casa dos 60 aos 69 anos e outra na dos 40 aos 49 anos.

"Em caso de dúvida, deve-se agir como se estivéssemos infetados"

O ano termina, mas a pandemia avança e sem certezas de quando poderemos viver mais aliviados. O aparecimento da variante Ómicron há um mês mudou o curso da doença no mundo e em Portugal, que regista agora diariamente números de casos que nunca antes tinha registado (ontem foram 28 659). O infecciologista António Silva Graça diz ao DN que tentar controlar agora a infeção é correr atrás do prejuízo, que as medidas tomadas a 21 de dezembro "chegaram tardiamente".

E o fim de semana que se aproxima é de novo um período de grande risco. Portanto, aconselha, a todos os que decidiram passar esta noite velha e o primeiro dia do ano em grupos de família e amigos que tomem os devidos cuidados e que, em caso de dúvidas - ou seja, de registo de sintomas que possam sugerir infeção por covid -, atuem como se estivessem infetados, mesmo que não possam fazer um teste para o confirmar no imediato.

"As pessoas que tenham a intenção de sair de casa para conviver e estarem mais próximas de amigos e familiares durante este fim de ano, devem ter noção de que tal envolve algum risco, mesmo que façam, e é desejável que o façam, um teste rápido para saberem se estão infetados ou não", sublinha o infecciologista. No caso de estarem, "naturalmente que não devem participar nessas celebrações, não estando devem ter presente que correm riscos e que para os evitar devem, em primeiro lugar, estar sempre de máscara, à exceção dos momentos em que estão a consumir bebidas ou alimentos", sublinha.

Mas não só. O médico recorda que, nesta altura, em que já se percebeu que a nova variante "contagia mais facilmente" e que dá sinais mais rapidamente, "os sintomas surgem, em média 48 horas depois da infeção, embora nalguns casos menos, que "nos dias imediatos, nomeadamente três a quatro dias, todas essas pessoas tenham alguns cuidados suplementares". Ou seja, "procurem não partilhar espaços de refeição com outras pessoas que não sejam as do seu agregado ou que optem por fazer as refeições sozinhas, que usem a máscara de forma criteriosa e que fiquem em casa, se tiverem alguns sintomas sugestivos de infeção, mesmo que não tenham possibilidade de fazer no imediato um teste de rastreio".

António Silva Graça reforça que em caso de dúvida, "se tiverem queixas sugestivas de infeção, admitam que podem estar infetados e avisem as pessoas de quem estiveram próximas nos dias anteriores, procurando de imediato o recato e o isolamento, até poderem fazer um teste para confirmar se estão ou não infetados".

Graça Feitas apela a pais que agendem vacinação dos filhos

A diretora-geral da Saúde apelou esta sexta-feira aos pais para ​​​​​​​autoagendarem a vacinação dos seus filhos entre 6 e 9 de janeiro, período em que os centros de vacinação covid-19 estarão dedicados às crianças, para evitar esperas e ansiedade desnecessárias.

Nesse período, que começa no Dia de Reis, todos os centros de vacinação vão estar "inteiramente dedicados à vacinação das crianças entre os 5 e os 11 anos", para ser "um processo controlado de afluência normal" a estes espaços, afirmou Graça Freitas, em declarações à agência Lusa.

Na véspera do Ano Novo, a diretora-geral da Saúde quis deixar uma mensagem aos pais ou familiares das crianças para que as vacinem, realçando que "vacinar é proteger".

"Eu quero muito recordar aos pais que tem sido um privilégio durante dezenas de anos a confiança que têm tido na vacinação em Portugal e nas recomendações que nós temos feito sobre a vacinação", disse.

Graça Freitas observou que em Portugal quase todas as crianças, adultos e jovens se vacinam, "independentemente das suas características, da sua condição social, da sua nacionalidade", uma estratégia que tem dado "bons resultados" porque a maior parte das doenças para as quais foram vacinadas foram eliminadas no país.

"Não temos mesmo casos, a não ser por importação, e quando não eliminamos, controlamos ao mínimo, mínimo possível de casos", afirmou, vincando que isto "é um bom exemplo" dos benefícios da vacinação.

Segundo a diretora-geral da Saúde, a vacinação "tem muitas vantagens para o próprio", porque evita a doença, e a infeção natural pelo vírus é sempre um fenómeno que não se controla.

"Nunca sabemos quem é que vai ter uma complicação, quem é que pode ir para o hospital, é sempre uma incógnita. Se temos uma vacina que simula a infeção natural, mas que controla os riscos e as reações, então, usemos essa vacina", vincou.

Graça Freitas reafirmou que a vacina contra a covid-19 é eficaz, é segura e tem qualidade", tendo já dado "provas disso", reforçando por isso o apelo aos pais para aderirem ao processo de vacinação e fazerem o autoagendamento, "para haver algum controlo na afluência aos centros de vacinação, sem esperas desnecessárias, sem ansiedade desnecessária".

Segundo Graça Freitas, já há pais a fazer o autoagendamento, mas o apelo é para que "o façam ainda mais" porque há capacidade e vacinas suficientes para vacinar todas as crianças dos 5 aos 11 anos.

"São processos muito amigáveis, os enfermeiros e todo o pessoal que lá estão [nos centros de vacinação] são extraordinários, conseguem tratar as crianças com uma delicadeza e uma humanização muito grande", comentou.

Por outro lado, disse, "a injeção não dói, as reações adversas são muito raras e ligeiras e autolimitadas".

"É um processo seguro e um processo eficaz e é um processo que confere proteção contra uma doença que apesar de tudo para algumas pessoas pode ser grave, o que nós não queremos de todos. Nós queremos é que as pessoas se protejam", rematou Graça Freitas.

Este será o segundo período destinado exclusivamente à vacinação de menores, depois de mais de 95 mil crianças entre os 9 e os 11 anos terem recebido a primeira dose da vacina pediátrica da Pfizer no fim de semana de 18 e 19 deste mês.

Segundo o planeamento da "task force", a vacinação da segunda dose para as crianças abaixo dos 12 anos deverá acontecer entre os dias 5 de fevereiro e 13 de março.

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