Porto tem nova atração sobre o Douro. É só subir 262 degraus

Já se pode caminhar sobre o arco da Ponte da Arrábida. Visitas guiadas começam hoje e têm o preço de nove euros por pessoa

Dois cabos de aço, um arnês, fôlego para vencer 262 degraus, coragem e poucas vertigens. Estes são os requisitos exigidos a quem quiser chegar a partir de hoje ao cimo da Ponte da Arrábida, no Porto, e contemplar a que é descrita como "a vista mais secreta da cidade".

53 anos e dois dias depois da inauguração (22 de junho de 1963) da que foi a segunda ligação rodoviária entre Porto e Vila Nova de Gaia (outras duas viriam a seguir-se), a ponte vai estar acessível a qualquer visitante que pague um bilhete cujo preço de lançamento é de nove euros (oito caso apresente o flyer da empresa)

Quando foi colocado o último bloco para unir o maior arco de betão armado do mundo à época, houve quem ficasse de olhos no céu à espera que a Ponte da Arrábida desabasse - como ilustres engenheiros tinham garantido. A estrutura construída entre 1957 e 1963 e concebida pelo génio da engenharia Edgar Cardoso (um dos maiores especialistas nacionais neste setor) venceu o vão de 270 metros entre margens com um inacreditável arco de 615 metros de comprimento (26 de largura), que se tornou um ex-líbris do Porto, e foi classificada como Monumento Nacional em 2013.

A iniciativa de colocar na oferta turística da cidade esta visita partiu de Pedro Pardinhas, que investiu cerca de 50 mil euros em equipamentos de segurança e transformou um anexo da ponte numa pequena receção onde criou a empresa Porto Bridge Climb depois de convencer a Infraestruturas de Portugal (IP), dona da ponte, a permitir a rentabilização deste pedaço de património.

"A ideia quando fizemos o primeiro contacto com a IP, em agosto de 2014, era de reativar os elevadores da Ponte da Arrábida - que ligam a marginal ao tabuleiro superior -, que funcionaram entre o início de atividade da ponte, em 1963, e meados da década de 1980, tendo desde então sido abandonados. No entanto, percebemos que a ideia era muito ambiciosa em termos financeiros. Custava meio milhão de euros ativar os elevadores e além disso reforçar a segurança nos passeios do tabuleiro superior, já que ali passa uma autoestrada", adiantou ao DN. Perante essa dificuldade surgiu "a ideia de fazer visitas turísticas ao arco. É uma forma de proporcionar uma visita diferente de qualquer outra a um "edifício" icónico. Praticamente ninguém teve oportunidade de caminhar sobre um arco com esta configuração e poder apreciar sem ser de uma forma fugaz uma vista como esta", explicou Pedro Pardinhas, formado em Economia e empreendedor responsável por este novo conceito que procura atrair locais e turistas. "Se não fosse o crescimento do turismo que tem havido nos últimos anos no Porto nem nos teríamos lembrado disto. Ficamos muito contentes pelo interesse que isto está já a gerar nos portuenses, mas a médio prazo é natural que o número de visitantes estrangeiros seja cada vez maior e precisamente por isso estamos em contacto com operadores turísticos e hotéis para darmos a conhecer esta experiência", sublinhou.

Visita começa com exposição

Imediatamente por baixo de um tabuleiro onde diariamente passam 150 mil automóveis há uma estranha sensação de quietude e uma vista magnífica para contemplar, com o Palácio de Cristal, o Mosteiro da Serra do Pilar e a Ponte Luís I a destacarem-se na paisagem. A visita guiada começa com uma exposição de fotografia sobre as seis pontes que unem Porto e Gaia, tem uma duração aproximada de 30 minutos, pode ser realizada por grupos até 13 pessoas, entre os 16 e os 79 anos, e não é de todo considerada uma atividade radical.

"A visita faz-se com facilidade e é até uma atividade relativamente pacata. Utilizamos os equipamentos de segurança para evitar que as pessoas se coloquem em risco", adiantou Pedro Pardinhas, sublinhando que, no futuro, a visita que até ao momento é feita a partir do Porto até meio do arco (ida e volta) poderá, com algumas alterações, "fazer o arco completo, entre Porto e Gaia, ou então subir por uma costela da ponte e descer pela outra, permitindo outra vista".

Para já e a partir de hoje, dia de São João, os visitantes poderão estrear-se a caminhar no icónico arco e fazer uma viagem ao centro da Ponte da Arrábida. Meio século depois da inauguração há uma nova atração suspensa sobre o Douro.

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