Porto cede coração de D. Pedro I ao Brasil. Veja as fotos

Rui Moreira autoriza viagem da relíquia, depois de uma avaliação científica que afastou risco de danos.

O Porto vai ceder, temporariamente, o coração do rei D. Pedro I (IV de Portugal) ao Brasil, por ocasião das celebrações do bicentenário da independência do país. Foi o próprio presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que anunciou ontem a decisão, adiantando que a avaliação científica que foi feita à relíquia, apesar de não estar ainda terminada, já permitiu concluir que é possível "fazer a viagem" para o Brasil sem risco de danos.

"O relatório da perícia ainda não está totalmente concluído, mas já nos foi assegurado que o coração de D. Pedro IV poderá ser trasladado temporariamente para o Brasil, mediante a exigência de um transporte em ambiente pressurizado", anunciou Rui Moreira, em conferência de imprensa. O autarca portuense revelou que a peritagem ao coração de D. Pedro - uma relíquia com 187 anos - "foi feita a 31 de maio, durante mais de cinco horas, por cinco peritos das áreas da Anatomia, Medicina Legal, Genética e da Biologia Forense", juntando ainda especialistas, docentes e investigadores de duas escolas de medicina do Porto (Faculdade de Medicina do Porto e Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar). A decisão de avançar com a peritagem, acrescentou Rui Moreira, foi tomada depois de contactados o Presidente da República e o reitor da Universidade do Porto.

A decisão de Rui Moreira "será ainda validada pelo executivo municipal" da cidade e o autarca garante que se ocupará pessoalmente deste processo: "Serei eu mesmo a garantir e a acompanhar o transporte deste importante tesouro da cidade, irei assegurar que o vaso onde se encontra o coração do Imperador do Brasil seja devidamente selado, bem como um conjunto de garantias legais que terão de ser apresentadas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, pois será exigido um compromisso entre os dois países irmãos". Neste ponto, Moreira disse ter já garantias de que o transporte será assegurado pela Força Aérea Brasileira.

Por agora não está ainda fechada a data da trasladação: "Depende do que for acertado entre o Estado português e brasileiro, mas é provável que seja no início de setembro, porque haverá uma comemoração em Brasília a 8 de setembro, onde estará o Presidente da República de Portugal". Já quanto ao tempo de permanência no Brasil, o autarca antecipa que a relíquia regresse ao Porto em 2023: "Não deverá ficar mais de um ano, prevejo que fique menos".

A 30 de maio, o embaixador brasileiro George Prata, um dos coordenadores das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, anunciou que o seu governo pediu oficialmente a Portugal a trasladação do coração de D. Pedro, pai fundador da independência do país.

A relíquia foi doada à cidade do Porto por vontade do monarca, em sinal de gratidão pela resistência da cidade ao cerco dos absolutistas (o Cerco do Porto, entre julho de 1832 e agosto de 1833). O coração está guardado num frasco de vidro e submerso em formol, na capela-mor da Igreja da Lapa, num sarcófago protegido por cinco chaves - chaves essas que estão habitualmente na secretária do presidente da Câmara do Porto. Já o corpo de D. Pedro I está na cidade brasileira de São Paulo.

Ontem, Rui Moreira anunciou também que o Porto se associará às celebrações dos 200 anos da independência do Brasil, com uma exposição sobre a presença de D. Pedro na cidade.

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