Polaca Marta Kirsz apaixonou-se por pastéis de nata e 'trouxe-os' para Cracóvia

"Comi o meu primeiro pastel de nata à sombra de uma buganvília em frente ao Miradouro de Santa Luzia, comprado numa pequena confeitaria ali perto, e apaixonei-me", recorda Marta Kirsz.

A polaca Marta Kirsz, que até desconhecia que o Europeu2021 de voleibol estava a decorrer na sua cidade, apaixonou-se há seis anos por Portugal, por Lisboa e pelos pastéis de nata e trouxe-os para Cracóvia.

Rendida aos encantos de Portugal, durante uma visita de bicicleta em 2015, bem como ao companheiro português Paulo, pai da sua filha, Marta Kirsz decidiu avançar com o projeto de trazer um bocado de Alfama para Cracóvia e abriu o Café Lisboa.

"Comi o meu primeiro pastel de nata à sombra de uma buganvília em frente ao Miradouro de Santa Luzia, comprado numa pequena confeitaria ali perto, e apaixonei-me", recordou Marta Kirsz à agência Lusa, na esplanada do seu Café Lisboa.

A colorida buganvília está pintada no interior do Café Lisboa, decorado com temática portuguesa, onde não falta um mapa de Portugal em cortiça pendurado à entrada, azulejos, "trazidos da feira da ladra", e um painel com a ponte 25 de abril.

Bem localizado, perto da emblemática Rynek Glowny (praça do mercado), o café é ponto de paragem para uma clientela fiel à iguaria, que não é a única disponível, e "num bom fim de semana, de sol, são vendidos entre 1.000 a 1.100 pastéis de nata".

Ouviu falar pela primeira vez do típico pastel de nata através de um colega de trabalho, que lhe recomendou provar um quando viesse a Portugal. O que aconteceu em 2015, quando Marta se aventurou, sozinha, a percorrer o país de bicicleta.

"Depois de alguns dias a comer pastéis de nata, nos sítios mais emblemáticos, e não só, fui de bicicleta até Faro, e durante a viagem conheci três portugueses, um deles o Paulo, que viria a ser o meu companheiro", recorda a empreendedora Marta.

De regresso à Polónia, "após duas semanas, com mais de 700 quilómetros nas pernas e muitos pastéis de nata na barriga", Marta começou a amadurecer a ideia de meter mãos ao projeto de abrir em Cracóvia um espaço dedicado à sua comercialização.

"Não sabia nada sobre pastéis de nata. Mas, depois de 22 meses de preparação, deixei o meu emprego para me concentrar no projeto. Procurei o local, visitei dezenas de sítios, e tentei fazer os pastéis em casa, através de receitas na Internet, mas sem efeito", adianta.

Mais tarde, Marta fez um curso em Portugal com um pasteleiro que tinha ganho uma prova cega de pastéis de nata, que, por uma feliz coincidência, era conhecido do seu companheiro Paulo e com o qual tinha jogado futebol na juventude.

"De volta à Polónia, pratiquei a receita com ingredientes de cá e fui aperfeiçoando ao meu gosto. Seis anos depois, tornei-me numa espécie de perita e muito exigente no que toca à confeção do pastel de nata", admite, sorrindo.

A chave para a implementação do negócio foi uma pesquisa de mercado que fez no decorrer de uma feira em Cracóvia, para testar a adesão dos polacos ao produto português, em que apenas em três horas vendeu 768 pastéis de nata.

"A reação dos polacos aos pastéis foi incrível", explicou Marta, acrescentando que a sua confeção não é realizada no café, por falta de espaço, mas numa pizaria perto, durante a noite.

Marta está rendida à fórmula tradicional e coloca de parte variações ao produto, como a introdução de outros sabores, como frutos vermelhos, pois "não vale a pena melhorar o que é bom" e o "genuíno pastel de nata português é a âncora do negócio".

A pandemia de covid-19 provocou contratempos no negócio, fechando a casa no pico das contaminações e obrigando ao recurso às entregas ao domicílio, mas o "café sobreviveu" e espera que, "dentro em breve, tudo volte à normalidade".

Brevemente regressarão as noites portuguesas, com comida típica e música ao vivo, e assim que for possível voltará o dia dedicado a Portugal, com sardinhas e chouriço assado, vinho verde, azeitonas, pão e pastéis de bacalhau, entre outros produtos típicos.

Para além dos pastéis de nata genuínos (com ou sem canela), que podem ser acompanhados por café expresso, a casa tem na ementa vinho português, pão, azeite, azeitonas, chouriço, paio e presunto, alguns vindos do Alentejo, e tem uma pequena loja onde vende sardinha, atum e bacalhau em lata.

O café, onde se pode ouvir fado ou música portuguesa de fundo - durante a conversa com a Lusa estava a cantar Ana Moura -, não vende vinho do Porto, "devido às taxas elevadas que não compensam", mas tem "ginjinha de Óbidos e moscatel de Setúbal e do Douro".

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