Podiam acabar as quotas e haver tantas mulheres no Parlamento?

Um filme sobre a luta das mulheres pelo direito ao voto serviu para debater a igualdade de género e as quotas na política

Isabel Moreira, deputada do PS, arriscava."Suspender as quotas durante um tempo para ver o que acontecia". As restantes participantes da mesa-redonda que antecedeu a ante-estreia do filme As Sufragistas não o fariam. Justificando: "Falta muito para haver igualdade de género em Portugal."

Uma conclusão a que chegaram a juíza conselheira Clara Sottomayor, a socióloga Anália Torres e as deputadas Teresa Leal Coelho (PSD) e Isabel Moreira (PS), perante a pergunta da jornalista Maria Flor Pedroso, que moderou o debate: "Quando é que deixarão de ser preciso as quotas?" Uma discussão a propósito do filme As Sufragistas, que ontem teve a ante-estreia no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e em que se abordou a evolução dos direitos das mulheres em Portugal.

Mais mulheres com um curso superior do que homens, mas com uma representação diminuta em cargos de chefia e que recebem menos 16% do salário ao fim do mês. Exemplos sobre a discriminação das mulheres, sendo os números da violência doméstica o factor mais visível dessa desigualdade.

Seguiu-se depois a apresentação do filme, que terá a estreia nacional a partir de manhã. Carey Mulligan e Helena Bonham Carter, com participação especial de Merly Streep, representam as luta das mulheres inglesas pelo direito ao voto no início do século XX.

Em Portugal, em 1911, já a médica Carolina Beatriz Ângelo tinha conseguido votar servindo-se de uma lacuna da lei que permitia o voto aos chefes de família, não especificando o género. Sendo viúva, a médica era a chefe de família. Mas a lei foi alterada dois anos depois, dizendo que só os chefes de família do sexo masculino podiam votar. Várias vezes foi mudada, mas só com o 25 de Abril o direito ao voto se tornou universal.

A ministra da Cultura, Igualdade e Cidadania, Teresa Morais, assistiu à apresentação do filme, aproveitando para sublinhar que a sua presença era, também, uma resposta a quem estranhou os três temas numa mesma pasta. Uma estreia no CCB, um espaço de cultura, e um filme que fala da igualdade de género e do direito de cidadania.

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