Pico de calor entre terça e quinta. Marcelo apela a esforço de todos para evitar incêndios

De acordo com o IPMA a partir de terça-feira haverá uma "subida acentuada das temperaturas, máximas e mínimas". Pico será na quinta-feira. Marcelo e Costa cancelaram agenda internacional.

Máximas acima ou próximo dos 40, mínimas acima de 20: a partir da próxima terça-feira e até quinta, o território de Portugal continental vai sofrer uma onda de calor que só deverá começar a baixar - lentamente - a partir de sexta-feira.

De acordo com a meteorologista Cristina Simões, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a partir de terça-feira "espera-nos uma situação um pouco gravosa" em termos meteorológicos: "É diferente quando temos um período quente, mas por pouco tempo. Neste caso já se mantém desde a semana passada e vai ocorrer um agravamento a partir de terça-feira".

Da noite de segunda-feira em diante vai registar-se uma "subida acentuada das temperaturas, máximas e mínimas". No "interior do país, assim como na região de Lisboa e Vale do Tejo, em Lisboa e Setúbal, vamos ter temperaturas acima de 40 graus", enquanto nas zonas litorais ficarão acima dos 35. A situação deverá manter-se na terça e quarta-feira, com "pico na quinta". De acordo com as previsões do IPMA, a temperatura máxima para Lisboa, nesse dia, é de 42 graus, enquanto a mínima está nos 23 graus.

Face a estas condições o IPMA vai colocar a generalidade do território continental em aviso laranja, com exceção da região do Algarve que, com temperaturas máximas previstas de 33/34 graus, ficará com aviso amarelo. Ainda assim, com condições particularmente delicadas para a ocorrência de incêndios, sublinha Cristina Simões - "Estamos a falar de tudo o que é perigoso para o risco de incêndio: estamos com humidade relativa bastante baixa, tanto durante o dia como durante a noite, há uma fraca recuperação noturna, e vento mais intenso nas terras altas, especialmente no Algarve, onde vamos ter vento de sueste bastante intenso. Diria que a noite pior será a de 11 para doze [segunda para terça-feira], com vento bastante intenso durante a noite".

"É preciso fazer tudo para que o saldo seja o mais positivo possível"

Face ao agravamento das condições meteorológicas, e o decorrente aumento do risco de incêndio, o Governo já anunciou que o país vai passar ao estado de contingência, a partir de amanhã e até dia 15. Na manhã deste domingo o Presidente da República esteve, com o ministro da Administração Interna, numa reunião no Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON), na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Oeiras. No final, Marcelo Rebelo de Sousa avisou que "isto é uma situação muito mais grave do que a que corresponde à situação, já complicada, no período dito de verão".

Segundo afirmou o chefe de Estado, dentro do pico dos próximos dias é possível dividir o risco de incêndios "em duas fases": uma entre hoje e segunda-feira, e outra a partir de terça-feira, que poderá durar "um número de dias variável, entre três e quatro". E, se a situação amanhã até pode dar a ideia de um "aparente desagravamento", Marcelo avisa que isso é ilusório e não deve levar as pessoas a "facilitar na sua reação", uma vez que os dados apontam para um "agravamento no dia seguinte".

Marcelo deixou, por isso, um apelo: "É preciso neste momento, perante este pico, fazer tudo para que o saldo final, no termo destes dias, desta semana, seja um saldo que seja o mais positivo possível e não o mais negativo possível. É este esforço que temos todos que fazer".

Face às difíceis condições meteorológicas que se avizinham, e o risco de incêndios, o primeiro-ministro e o Presidente da República cancelaram a agenda internacional para os próximos dias: António Costa tinha prevista uma viagem a Moçambique e Marcelo Rebelo de Sousa deveria deslocar-se a Nova Iorque, para participar numa reunião do Conselho Económico e Social da ONU.

Portugal recorreu, entretanto, ao Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. Na sequência do pedido, o governo de Espanha disponibilizou dois aviões pesados anfíbios (Canadair) para apoiarem no combate aos incêndios.

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